Dívida pública dispara 7.175 milhões USD num ano para 71.979 milhões USD
O Governo continua a gastar a maior parte da sua receita fiscal em despesas correntes como salários, aquisições de bens e serviços, pagamento de juros, e não consegue gerar poupança, o que acaba por potenciar um círculo vicioso de dívida, agravando os encargos financeiros das gerações futuras.
O stock da dívida interna e externa angolana cresceu 11% num só ano, ao passar de 64.808 milhões USD no final do I trimestre de 2025 para 71.979 milhões USD no final de Março deste ano, de acordo com cálculos do Expansão com base no relatório de execução orçamental do I trimestre de 2026, publicado no site do Ministério das Finanças.
Desde forma, a dívida pública, que inclui dívida da Sonangol (2.465 milhões USD) e TAAG (83 milhões USD) e a do Governo (49.838 milhões de dívida externa e 19.593 milhões USD em dívida interna) voltou aos valores de finais de 2022, quando ainda estava acima da barreira dos 70.000 milhões USD.
E se a dívida em termos homólogos disparou 7.175 milhões USD, já face ao final de 2025 cresceu 3.816 milhões USD: 998 milhões a nível interno e 2.818 milhões a nível externo. Esse crescimento face ao final do ano passado deve-se, essencialmente àquela que foi a primeira emissão de Eurobonds, que ocorreu em Março, através da colocação em duas tranches de títulos de dívida soberana em moeda estrangeira nos mercados europeus: uma de 1.500 milhões USD, com maturidade de 7 anos e com uma taxa de juro de 9,25%, enquanto a segunda, de 1.000 milhões USD, a 11 anos, tem uma taxa de juro de 9,8%.
Segundo apurou o Expansão junto do Ministério das Finanças, esta operação teve associada uma recompra de 500 milhões USD dos títulos vincendos em 2028 (emissão de 1.750 milhões USD em 2018 denominada Palanca II).
Em termos líquidos o stock de dívida em Eurobonds teve um acréscimo de 2 mil milhões neste primeiro trimestre para um total de 12.277 milhões USD. Face ao stock de Eurobonds de 9.112 milhões registado no período homólogo de 2025, verificou-se um crescimento de 35%, equivalente a mais 3.334 milhões USD.
Contas feitas, no final do I trimestre deste ano, os investidores dos Eurobonds eram os maiores credores de Angola, seguido pelos investidores da dívida pública em moeda nacional, cujos títulos estão parqueados na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), que já valem 10.597 milhões USD, representando um crescimento de 10% face aos 9.646 milhões registados no período homólogo.
Já o Banco de Desenvolvimento da China (BDC), que foi o maior credor angolano durante quase uma década, tem hoje por receber 6.498 milhões USD. De acordo com o Boletim Trimestral da Dívida Pública relativo ao I trimestre de 2026, a dívida a este banco está toda ela coberta por garantia do petróleo, o que acaba por motivar o Governo a antecipar o quanto antes a sua amortização. Só para se ter uma ideia, no final de 2021, o...











