Transporte de carga "segura" aviação em Abril, passageiros com queda de 3,4% na procura
Um cenário de escassez de petróleo, caso o Estreito de Ormuz não reabra, levou o FMI e o Banco Mundial a lançar um alerta conjunto sobre o "risco acrescido para a segurança energética e para a resiliência da economia".
A guerra no Médio Oriente provocou uma queda de 3,4% no número de passageiros aéreos em Abril, face ao mês homólogo de 2025, devido a um tombo de 46,6% na procura registada pelas transportadoras do Golfo. Já no transporte de carga houve um aumento de 4% na procura, segundo a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), impulsionada por fortes fluxos comerciais ligados à Ásia, crescimento que não mascara os riscos que a aviação enfrenta devido a um cenário de escassez de combustível caso o Estreito de Ormuz não reabra em breve. No transporte de passageiros, a queda de 46,6% nas operadoras do Médio Oriente foi "tão aguda" que arrastou a procura geral para baixo em 3,4%, apesar de se terem verificado aumentos na procura, medida em RPK - passageiros por quilómetros pagos, em quase todas as regiões.
As companhias da América Latina tiveram um aumento de 8,9% na procura, em relação ao mesmo período do ano passado, seguidas pelas da Ásia-Pacífico, com 3%, e pelas companhias africanas que registaram um aumento de 2,2%. As europeias registaram um aumento de 0,9% e as da América do Norte não tiveram alterações. No transporte de carga a procura foi maior, devido ao encerramento do Estreito de Ormuz que desviou carga marítima para a aviação, provocando aumentos na maioria das regiões, à excepção do Médio Oriente, que caiu 18,2%, e da América Latina e Caribe, com menos 2,8%.
As companhias africanas foram as segundas que mais cresceram em Abril, com uma subida de 7,7% no transporte de carga, seguidas pelas transportadoras da Ásia-Pacífico, com 10,5%. A Europa teve uma subida de 6,0% e a América do Norte 5,0%. Os aumentos no transporte de carga, medido em toneladas-Km (ACTK), esconde um "ambiente operacional mais complexo", diz Willie Walsh, director-geral da IATA.
"A grave interrupção em importantes centros de carga no Golfo devido à guerra continuou a remodelar as rotas comerciais e a restringir a capacidade em corredores cruciais", justificou, notando que os "próximos meses testarão quão bem o sector pode absorver a contínua incerteza geopolítica e os elevados custos operacionais".
Bilhetes mais caros
A IATA nota que os preços do combustível de aviação subiram acentuadamente em Abril, com alta de 121,1% em termos anuais, juntamente com um aumento de 77,7% no preço do petróleo bruto. Além disso, o sector enfrenta um risco de escassez de combustível, que obrigou algumas companhias aéreas, como a alemã Lufthansa a anunciar o cancelamento de 20.000 voos até meados de Outubro.
Em Abril, a IATA admitiu a possibilidade de mais cancelamentos até ao final de Maio, caso se agravassem os constrangimentos no abastecimento, mas esta semana afastou o risco de falta de combustível para a aviação na Europa no Verão, quando o tráfego de passageiros aumenta. A organização, que representa 360 companhias, admite desafios se a crise energética se prolongar antecipando aumentos nos preços dos bilhetes, devido à subida dos combustíveis.
Rafael Schvartzman, vice--presidente regional da IATA para a Europa, diz que os combustíveis representavam antes da guerra entre 25% a 30% dos custos operacionais das companhias e hoje representam mais de 40%, o que acaba por se refletir nos preços dos bilhetes. Um cenário de escassez de petróleo este verão levou o FMI e o Banco Mundial a emitir uma declaração conjunta, a 29 de Maio, após uma reunião com os líderes da Agência Internacional de Energia (AIE) e da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Os stocks globais de petróleo estão a diminuir a um ritmo recorde devido à grande perda de carregamentos que passam pelo Estreito de Ormuz", alertaram as quatro organizações.
Na declaração, advertem que, "se o tráfego marítimo não regressar à normalidade, uma redução rápida e sustentada dos stocks globais antes do pico da procura de verão no Hemisfério Norte representaria um risco acrescido para a segurança energética e, de forma mais ampla, para a resiliência da economia". Em Abril, o FMI antecipou um aumento súbito dos pedidos de assistência de países em dificuldade, em resultado da guerra, estimando que poderiam ser necessários entre 20 mil milhões e 50 mil milhões USD em ajuda adicional.











