Director Carlos Rosado de Carvalho

"O BESA faliu por decisão política. Aliás, nem sei se faliu. Existe com outro nome"

"O BESA faliu por decisão política. Aliás, nem sei se faliu. Existe com outro nome"
Foto: César Magalhães
ARQUIVO

Na primeira grande entrevista a um órgão de comunicação nacional, nomeadamente à TPA, parcialmente reproduzida no Expansão, o empresário Álvaro Sobrinho contesta a versão oficial sobre o processo que culminou na falência do BESA e revela que foi alvo de "chantagem directa" para sair do País.

Como vê a transformação política que está a ocorrer no País e no MPLA?
ão sou político para fazer análises políticas, mas como cidadão acho que começa a haver uma mudança na abordagem política, que aflora muitos temas que dizem respeito à economia, a uma forma de estar diferente em termos de justiça e de maior apoio social, e maior responsabilização dos governantes. Começa a privilegiar-se mais a meritocracia do que o facto de se pertencer a um determinado partido e, do ponto de vista político, há uma mensagem forte para dentro e para fora do País.

Tem ligações ao MPLA?
Fui da OPA e da JMPLA e hoje sou simpatizante do MPLA.

Tem estado fora, como é que Angola é vista do exterior?
É vista com alguma expectativa. Há uma mudança de narrativa do ponto de vista da nova presidência, e o facto de haver uma nova dinâmica nas relações com o exterior por parte do presidente João Lourenço abre uma perspectiva e uma maneira de ver Angola completamente diferente.

Pela positiva ou negativa?
De forma positiva, claro. Do New York Times ao Financial Times e toda a imprensa internacional corroboram o que estou a dizer, e enfatizam a tentativa de mudança e de atracção do investimento externo para Angola, criando condições para um mercado mais livre e tentando acabar com os clusters que existem. Isto é visto de forma positiva e essa mensagem tem passado embora com algumas dúvidas que são naturais.

A mensagem é assim vista pelos investidores?
Há interesse em investir em Angola? Há ainda um trauma, porque no passado houve algumas situações menos positivas, mas todos são consensuais naquilo que diz respeito a tentarmos ser uma economia de mercado e aberta.

E qual tem sido o papel dos empresários angolanos?
Os empresários angolanos têm sempre uma forma positiva de fazer empurrar o País e dizer que existem condições para se investir aqui. O grande problema tem sempre a ver com a competitividade, a transparência, a justiça e as regras que possam seguir com alguma precisão. Quando têm incerteza em relação a essas matérias, têm sempre dificuldade em investir em qualquer país. Mas começa a haver uma alteração da maneira de abordar os investimentos externos em Angola, [porque] os sectores para investimento estão perfeitamente definidos numa estratégia de Governo, isso também é importante.

A falência do BESA é um assunto que o incomoda ou que lhe tira o sono?
Agora não, mas já tirou. O assunto BESA espalhou-se, teve um efeito boomerang a nível mundial e, obviamente, tive de viver com isto durante seis anos. Tirou-me algumas horas de sono, mas não fez com que eu baixasse os braços.

Porque é que o BESA faliu?
Na minha opinião, o BESA faliu por decisão política. Aliás, nem sei se o BESA faliu.

O Banco deixou de existir, tudo indiciava para o facto de que houve uma falência, porque é que tem dúvidas?
Mas quem é que disse isso?

O senhor e outros integrantes do BESA e do BES foram alvo de alguns processos. O que é certo é que o BESA não existe.
Não, o BESA existe com outro nome, chama-se Banco Económico. (...)


*Adaptada por Luís Galrão

(Leia a entrevista integral na edição 490 do Expansão, de sexta-feira 14 de Setembro de 2018, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

Notícias relacionadas:
Accionistas do ex-BESA acusam Sobrinho de lançar calúnias e difamar
BESA já "custou" 438 mil milhões Kz aos contribuintes

Partilhar no Facebook

Comentários

Destaques

ios Play Store Windows Store
 
×

Pesquise no i