Director Carlos Rosado de Carvalho

Perguntar não ofende, Sr. Governador!

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Em 2017, o investimento directo, isto é o investimento em empresas de Angola no exterior foi de1.352,0 milhões USD, revela o Relatório da Balança de Pagamentos e Posição do Investimento Internacional do Banco Nacional de Angola.

Também no ano passado, o investimento directo estrangeiro em Angola, excluindo o petróleo e diamantes, não ultrapassou os 27,2 milhões Euros.

Feitas as contas, em 2017, os angolanos investiram no estrangeiro 49,7 vezes mais do que os estrangeiros investiram em Angola.

Não tenho nada contra os investimentos angolanos lá fora. Desde que os valores sejam lícitos e paguem os impostos devidos, cada um faz com o seu dinheiro o que quiser.

Contudo, a compra de empresas no estrangeiro é feita na moeda estrangeira. Sendo os rendimentos obtidos pelos angolanos em kwanzas, os investimentos no estrangeiro implicam a compra de divisas. Em Angola, a venda de divisas é (quase) um monopólio do BNA. Como é que o BNA vende 1.352 milhões de USD para comprar empresas no estrangeiro, quando escasseiam as divisas para comida, medicamentos, matérias-primas, etc..

Os 1.352 milhões USD investidos no estrangeiro representam mais de 11% dos 12,2 mil milhões USD vendidos pelo BNA no ano passado.

Ainda que as divisas para investir lá fora não tenham sido vendidas pelo BNA, em Angola há controlo de movimento de capitais. Como é que o BNA deixou sair 1.352 milhões USD para compra de empresas lá fora, quando os angolanos passam o cabo dos trabalhos para levar um ou dois mil USD quando viajam para o estrangeiro, mesmo que tenham USD depositados no banco?

Quando um cidadão investe no estrangeiro é na expectativa de obter lucros e juros e repatriá-los para o seu País. Em 2017, segundo o BNA, os estrangeiros que investiram em Angola mandaram para os seus países de origem 4,9 mil milhões USD de lucros. Os angolanos que investiram no estrangeiro trouxeram para cá... 21 milhões USD de lucros.

Ainda segundo o BNA, os estrangeiros tinham investimentos de 27,6 mil milhões USD em empresas angolanas, enquanto Angola tinha 22,8 mil milhões aplicados em empresas lá fora.

Se aos 22,8 mil milhões USD investidos na compra de empresas estrangeiras somarmos os 7,4 mil milhões aplicados em títulos no exterior, concluímos que, no final de 2017, os angolanos tinham 30,2 mil milhões USD lá fora, cerca de 2,5 vezes as reservas internacionais líquidas do País.

O Expansão voltou a perguntar ao BNA a que sector institucional pertencem os angolanos que andam a investir no estrangeiro, em que países e negócios o fazem, mas o BNA voltou a não responder.

Editorial da edição n.º 491 de 21 de Setembro de 2018, já disponível em papel ou em versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui.

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