Director Carlos Rosado de Carvalho

Se o BNA não era a Casa da mãe Joana imitava bem

Se o BNA não era a Casa da mãe Joana imitava bem

O Banco Nacional de Angola divulgou esta semana o relatório e contas de 2017, cerca de três meses depois de ter feito o mesmo relativamente a 2016.

A publicação das demonstrações financeiras dos dois últimos exercícios encerra uma boa e uma série de más notícias.

Começando pela boa notícia, o banco central passa a ter as contas em dia. Este facto confere à entidade supervisora do sector bancário maior autoridade moral para cobrar aos bancos a publicação das contas. As regras do BNA obrigam os bancos a publicarem todos os três meses. Mas o BNA nem sequer as contas anuais dos dois últimos exercícios tinha publicado.

Quanto às más notícias, o relatório e contas de 2017 vem confirmar o caos em que esteve mergulhada a autoridade monetária angolana.

Aquando da apresentação do relatório de 2016 questionei se o BNA não se teria transformado na casa da mãe Joana, tal a confusão e a desordem reinantes.

A farra prolongou-se por 2017. No final deste ano, o BNA tinha registado como "Valores a receber de instituições não financeiras" uma quantia superior a 35,5 mil milhões Kz. Estes valores diziam respeito a pagamentos efectuados pelo banco central para supostas aquisições de bens de capital fixo e de serviços. Supostas porque segundo os auditores externos e o conselho de auditoria as operações apresentaram indícios de irregularidades, designadamente por não ter sido comprovada a aquisição de bens ou contrapartida de serviço.

Os bens de capital fixo, supõe-se que imóveis, envolviam 21,7 mil milhões Kz. Os restantes 13,8 mil milhões Kz referiam- se à compra de serviços, incluindo o pagamento de 4,6 mil milhões Kz à Mais Financial Services, a famosa empresa de consultoria que estava a intermediar um suposto fundo de investimento estratégico para Angola no valor de 35 mil milhões USD.

Para se perceber melhor, vou repetir mas em USD. O BNA pagou mais de 210 milhões de USD, sim leu bem, 210 milhões USD por compras fictícias de bens e serviços.

Segundo os auditores, decorrem diligências no sentido de avaliar a possibilidade de valores pagos, a qual é incerta. Face a esta incerteza foram registadas perdas de imparidade para a totalidade dos 35,5 mil milhões Kz, mais de 210 milhões USD.

Se o BNA não era a casa da mãe Joana imitava muito bem.

Editorial da edição n.º 496, de 26 de Outubro de 2018, já disponível em papel ou em versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui.

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