Director Carlos Rosado de Carvalho

A crise é fruto da "gula" de alguns dirigentes angolanos

A crise é fruto da "gula" de alguns dirigentes angolanos
Foto: Adjali Paulo

A irreverência de Bonga fez Filomeno Pascoal escrever um livro sobre as marcas do músico na oralidade, provando que é possível usar artistas angolanos em estudos académicos. Arranjar patrocínios não foi difícil, mas uma editora, sim.

O que o levou a escrever sobre "Bonga-Marcas na oralidade angolana"?
Costumo dizer que sou um eterno apaixonado, primeiro, pela música angolana, depois pelo Bonga. Sempre que viajo pela TAAG não aceito ouvir outra música que não seja a angolana.

Podia ter escolhido outro nome para a sua monografia?
Sim. Mas escolhi o Bonga pela sua irreverência, por ser a pessoa que narra os aspectos sociopolíticos do País, fala sobre a sociedade e as suas histórias. Quando ouves Bonga, tens certeza que vais conhecer a história de Angola.

Não teve receio de o livro não ser bem visto por ter escolhido Bonga?
Sou do tipo de pessoa que acredita que a guerra que houve em Angola não é dos mais jovens. Não sendo nossa, devemos aproveitar os aspectos bons. Ou seja, olhar para o Bonga e questionar: como é que podemos aproveitar tudo aquilo que ele cantou? É claro que tive alguns receios, porque houve situações menos boas, no sentido em que, depois de apresentar o trabalho de monografia, tentei editar o livro com algumas editoras, mas não aceitaram. Só em 2016 é que uma editora aceitou, mas não avançámos, porque não aceitei as condições impostas. Depois encontrei a Perfil Criativa que, apesar de nova, é uma editora madura e hoje o livro é uma realidade.

Quer dizer que fez autocensura?
iz sim, porque, na altura, deixei de escrever muitas coisas para acautelar determinadas questões, mas sempre disse que estava a fazer um trabalho académico e não político. Fiz uma análise sobre o Bonga e o enquadramento das suas letras na literatura angolana, para provar que podemos usar exemplos angolanos na academia. (...)


(Leia a entrevista integral na edição 500 do Expansão, de sexta-feira, dia 23 de Novembro de 2018, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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