Os marimbondos e as nossas crianças

Os marimbondos e as nossas crianças

"Não herdámos a terra dos nossos antepassados, nem a conquistámos, antes foi-nos emprestada pelos nossos filhos." Este provérbio Índio é provavelmente o provérbio que mais deveria inspirar os decisores económicos de todo o Mundo, a começar pelos decisores económicos de Angola.

Angola é tida como um País rico, no sentido de que dispõe de vastos recursos naturais, quando comparado com outros países.

Os "marimbondos" angolanos julgam que Angola foi conquistada por eles e que, por isso, lhes pertence.

O resultado são decisões económicas que, em muitos casos, não têm a conta nem a escassez de recursos, nem que esses recursos não nos pertencem, foram-nos emprestados pelos nossos filhos.

A escassez de recursos - embora vastos, os recursos de Angola não são inesgotáveis - implica que têm de se fazer escolhas, estabelecer prioridades sobre o que produzir, quando e para quem.

A prioridade das prioridades deviam ser as Crianças - afinal foram elas que nos emprestaram Angola.

Escrevo deviam porque as estatísticas sugerem que não é assim. Ainda esta semana um estudo do INE e da UNICEF revelou que 3 em cada 4 crianças em Angola sofrem ao menos três privações em áreas como a saúde, educação e nutrição.

A desculpa habitual de que os dados estão errados ou desactualizados ou outros "ados" não colhe: a análise usa dados oficiais do Governo de Angola.

Embora escassos, "através" da crise, os recursos financeiros disponíveis são mais do que suficientes para proporcionar às crianças angolanas uma vida com menos privações.

Infelizmente, até agora os "marimbondos" que julgam ter conquistado Angola, sempre estiveram mais interessadas em recolher para si os dividendos da guerra do que em garantir os direitos de quem nos emprestou este País: As Crianças.


Editorial da edição n.º 504, de 21 de Dezembro de 2018, já disponível em papel ou em versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui.

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