Director Carlos Rosado de Carvalho

"A crise abriu o mercado e está a ser uma verdadeira aula"

"A crise abriu o mercado e está a ser uma verdadeira aula"
Foto: D.R.

Depois de lançar o Luanda Nightlife (LNL), o primeiro portal de gastronomia nacional, Cláudio e parceiros lançaram a Angola Restaurant Week e a Luanda Cocktail Week, que deverá chegar a Benguela. A crise tem servido como incentivo e abriu o mercado.

Que avaliação faz do ano que agora termina?
Foi, sem dúvida, um ano muito importante para o LNL. Foi um ano de expansão e crescimento, de consolidação dos nossos projectos existentes, e de criação de novos produtos e serviços. Conseguimos crescer a nossa equipa, levamos o Restaurant Week para Benguela e Huíla, criamos o Luanda Cocktail Week (uma iniciativa que também pretendemos expandir para Benguela) lançamos o nosso novo portal (lnl.co.ao) e a aplicação para iPhones, e criámos o portal menucultural. co.ao, que serve como uma agenda cultural para o País.

A quinta edição da Angola Restaurant Week correspondeu ao esperado?
Sim, fiquei muito satisfeito com os resultados alcançados. Fiquei especialmente tocado pela adesão ao evento na província de Benguela, tanto da parte dos restaurantes como da parte do público. Cá em Luanda, apreciei a entrega dos restaurantes - os menus que criaram estão cada vez melhores - e o sentimento de partilha do nosso público, que fez questão de fotografar e gravar momentos gastronómicos lindos.

Um dos propósitos desta iniciativa é ajudar instituições carenciadas. Como avalia o impacto na vida das crianças, sobretudo que vivem nos centros que apoiam?
Esta é a vertente mais importante do Angola Restaurant Week - a aplicação dos proveitos desta iniciativa para a melhoria da qualidade de vida nos centros que apoiamos. Vemos as obras, as melhorias, os medicamentos comprados, as propinas, etc. Durante todo o ano a nossa equipa faz um acompanhamento minucioso das necessidades reais de cada centro e como o dinheiro das doações é aplicado. O nosso contacto com os centros que apoiamos é mais que isso - é uma relação permanente.

É fácil obter patrocínios para o evento?
Fazemos os esforços necessários. Temos relações sólidas com várias empresas que têm gosto em trabalhar connosco por conhecerem a qualidade do nosso trabalho, e também criamos relações com novas empresas. Felizmente, este é um sector em franco crescimento.

Tem valido a pena esse "esforço"?
Muito. Permite-nos criar experiências únicas para o nosso público e para o mercado de restauração e turismo em Angola.

E lançaram a Luanda Cocktail Week. Ficarão só por Luanda?
Não. Temos um foco nacional e o nosso objectivo é sempre expandir os nossos eventos para fora de Luanda.

É uma pessoa poupada por natureza ou por força da crise?
Sou poupado em algumas coisas por natureza. Mas não poupo na comida e na alimentação em geral.

A crise condicionou a concretização dos projectos ou, pelo contrário, serviu como incentivo?
Serviu como incentivo e abriu o mercado. Ajudou-nos a pensar de forma criativa, a posicionarmo- -nos e a prepararmo-nos para o nosso futuro. Temos bases sólidas para expandir e a crise está a ser uma verdadeira aula.

Em que medida é que a cultura gastronómica pode mudar a condição económica de uma pessoa? E de um País?
A gastronomia une pessoas, une povos, estimula os sensos, estimula o convívio e pode ser uma grande fonte de rendimento para um país. Há nações que são conhecidas principalmente pela sua gastronomia e orientam toda a sua estratégia turística a volta disso. Falo, por exemplo, de países como o Peru (a capital Lima é um grade destino gastronómico) e a Austrália (Sydney tem a maior concentração de restaurantes com Estrela Michelin no mundo). Bem desenvolvida, a gastronomia pode ser uma forte componente para a atracção de turistas ao País e é um espelho da nossa cultura.


Interesse pela gastronomia nos eventos e na cozinha

Cláudio Silva é sócio-gerente do Luanda Nightlife, o primeiro portal de apreciações críticas a restaurantes, bares e hotéis em Angola e empresa organizadora do Angola Restaurant Week, o maior evento gastronómico no País, que também apresentou recentemente o Luanda Cocktail Week, dedicado a bebidas, que espera que seja também um evento nacional.

Mas a sua paixão gastronómica vai além da organização destes eventos. Cláudio "confessa" que também gosta e sabe cozinhar, algo que faz nos tempos livres a par com viagens, leituras e ver televisão. Neste momento lê o "Black Against Empire: The History and Politics of the Black Panther Party". Antes de fixar residência em Luanda viveu muitos anos nos Estados Unidos da América, onde efectuou quase todo o ensino primário e secundário, e aonde regressou para a obtenção da licenciatura em Gestão de Empresas e Empreendedorismo pela Universidade de Boston.

(entrevista publicada na edição 504 do Expansão, de sexta-feira, dia 21 de Dezembro de 2018, disponível em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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