Director Carlos Rosado de Carvalho

E se fechássemos o BPC e abríssemos um novo?

E se fechássemos o BPC e abríssemos um novo?

O crédito bancário ou a falta dele dominou a semana económica por culpa da conferência do Banco Nacional de Angola (BNA) sobre o financiamento do sector privado. A falta dele (crédito) porque foi unânime a conclusão saída da conferência do BNA de que os empréstimos bancários estão a níveis muito baixos. E assim deverão continuar enquanto durar a intervenção do FMI. Pelo menos foi isso que sucedeu nos países europeus, como alertou João Hrotkò, sócio e director geral da consultora Boston Consulting Group.

Antes de melhorar, a situação do crédito em Angola ainda deve piorar até que os bancos limpem os seus balanços do crédito malparado.

Uma limpeza que segundo o consultor deve assentar em três pilares: apoiar o sistema bancário, garantir a sua sustentabilidade e acelerar a respectiva recuperação.

A mim chamou-me particularmente a atenção, no pilar da garantia da sustentabilidade, a sugestão de Hrotkó de "aplicar penalizações de forma consequente e material, por exemplo multas e prisão, para limitar moral hazard".

Como escrevi neste espaço não há muito tempo, a culpa não pode morrer solteira. Particularmente no Banco de Poupança e Crédito

Em cada 1 000 Kz de crédito concedido pelo banco público, quase 800 Kz estavam malparados.

Em cada 1 000 Kz de crédito malparado no país, 840 Kz estavam com o BPC.

A Assembleia Nacional tem a obrigação de lançar uma comissão de inquérito sobre o banco. Sem prejuízo da presunção da inocência, deveriam ser chamados a depor os gestores que passaram pelo banco, os sucessivos ministros das Finanças que o tutelaram, bem como os governadores do BNA que o supervisionaram.

Os únicos inocentes no caso BPC são os contribuintes angolanos que já foram chamados a reparar estragos na ordem dos 3,2 mil milhões USD, entre aumentos de capital e compra de crédito malparado. E vai continuar a reparar, pois o Fundo Monetário já avisou que quer ver actualizado o plano de reestruturação, que passará por uma nova recapitalização.

A minha dúvida é se vale a pena continuar a insistir no velho BPC, cheio de vícios, ou se não será melhor criar um novo BPC. Em minha opinião, todos os cenários devem estar em cima da mesa.


Editorial da edição n.º 508, de 25 de Janeiro de 2019, já disponível em papel ou em versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui.

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