Director João Armando

Falar com a Sonangol ou com uma parede é o mesmo

Falar com a Sonangol ou com uma parede é o mesmo

As "indirectas" ao Expansão parece que se tornaram uma imagem de marca das conferências de imprensa da Sonangol desde a chegada de Carlos Saturnino à presidência.

Há cerca de um ano, na habitual conferência de imprensa alusiva ao aniversário da companhia que se celebra a 25 de Fevereiro, o gestor referiu que numa ida ao barbeiro tinha ficado surpreendido ao ler "num" jornal que a Sonangol ia entregar a gestão da refinaria de Luanda à italiana EN I quando se tratava apenas de um acordo técnico-financeiro. O jornal era o Expansão, que havia feito manchete com o assunto na edição de 8 de Dezembro de 2017.

Esta semana, nova indirecta ao Expansão. "Caros Senhores, isto [empréstimos concedidos pela Sonangol às empresas Lektron e Geni, accionistas do Banco Económico] são assuntos muito sérios. Vamos dar dados reais para evitar a especulação que normalmente acontece", afirmou Saturnino na conferência de imprensa de 25 de Fevereiro que assinalou 43º aniversário da petrolífera.

Os dois empréstimos fizeram manchete do Expansão de 25 de Janeiro de 2019. "Accionistas do Banco Económico pregam "calote" de 30 mil milhões Kz à Sonangol", titulou o jornal baseado no facto de o relatório e contas da Sonangol de 2017 ter dado como perdidos dois empréstimos, de 21,1 mil milhões Kz à Lektron e de 9 mil milhões Kz à Geni.

Carlos Saturnino revelou que já em 2018 interpelou as duas empresas sobre o incumprimento dos contratos e que, em resultado dessa interpelação, a Geni pagou cinco mil milhões Kz, mas a Lektron não se deu sequer ao trabalho de responder.

A mesma atitude da Lektron teve a Sonangol que simplesmente ignorou as perguntas do Expansão, uma das quais era precisamente sobre qual a situação dos dois empréstimos à data 21 de Janeiro de 2019.

Se, como disse, quisesse verdadeiramente evitar a especulação, Carlos Saturnino teria respondido às questões do Expansão. Caso não tivesse tempo - o PCA da Sonangol diz que recebe 100 a 300 SMS por semana e que nem com o fim-de-semana consegue responder a todas - bastava pedir ajuda ao seu colega de administração Baltazar Miguel que o ajudou a responder sobre os empréstimos na conferência de imprensa.

Falar com a Sonangol é como falar com uma parede. Os dedos de uma mão chegam e sobram para contar as respostas da petrolífera às dezenas de perguntas enviadas pelo Expansão. E pelo que sabemos o mesmo se passa com os outros jornais.

Editorial da edição n.º 513, de 1 de Março de 2019, já disponível em papel ou em versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui.

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