Director Carlos Rosado de Carvalho

Salários mínimos perderam 43,4% do poder de compra desde 2014

Salários mínimos perderam 43,4% do poder de compra desde 2014
Foto: Lídia Onde

Contando com o aumento anunciado na semana passada, o salário mínimo mais baixo subiu 43% de 15 003 Kz em Julho de 2014 para 21 454 Kz a partir de Abril. Entre Julho de 2014 e Janeiro de 2019, os preços disparam 153%. Dito de outra forma, com o novo salário mínimo só se consegue comprar 56,6% dos bens e serviços que se compravam com o salário mínimo de Julho de 2017.

O reajuste em 30% dos salários mínimos do sector privado não foram suficientes para evitar uma perda do poder de compra de 43,4% desde o início da crise, em 2014, já que os dois aumentos operados desde essa data estão bastante abaixo da inflação, de acordo com cálculos do Expansão.

Numa decisão saída da Comissão Económica do Conselho de Ministros, reunida na passada sexta-feira, 22 de Fevereiro, todos os salários mínimos aumentam 30%. Para a agricultura, o salário mínimo foi fixado em 21 454 Kz. Os trabalhadores do sector do comércio e indústria transformadora com o salário mais baixo vão auferir 26 817 Kz, enquanto os trabalhadores do comércio e indústria extractiva vão ganhar 32 181 Kz. A medida só entrará em vigor em Abril depois da publicação em Diário da República (DR).

Segundo o ministro da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social Jesus Maiato, estes aumentos "visam recuperar o poder de compra das famílias e manter a estabilidade e o equilíbrio". Mas estes aumentos são insuficientes para repor o poder de compra, especialmente numa altura em que só a cesta básica alimentar para uma família de seis pessoas ronda os 80 mil Kz.

Trata-se do segundo aumento dos salários mínimos do sector privado desde o início da crise. Entre Julho de 2014 e Janeiro de 2019, a inflação aumentou 152,7%. Já os salários aumentaram 10% (em 2017) e 30% este ano. o que dá um aumento de global de 43%. Feitas as contas, chega-se a uma quebra de 43,4% no poder de compra dos trabalhadores com salários mínimos.

Se os preços dos produtos sobem e os salários não aumentam em proporção, o efeito directo é uma quebra no consumo. Ou seja, admitindo que com o salário mínimo de Julho de 2014 um trabalhador conseguia comprar 100 pães, com o novo salário mínimo só conseguirá comprar 56,6 pães. (...)

(Leia o artigo integral na edição 513 do Expansão, de sexta-feira, dia 1 de Março de 2019, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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