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Provisões de 300 milhões USD para perdas com a banca pesam no regresso aos lucros

Provisões de 300 milhões USD para perdas com a banca pesam no regresso aos lucros
Foto: César Magalhães

Dúvidas sobre a recuperabilidade de empréstimos concedidos ao BANC e ao BPC em operações de redesconto, entre outros, obrigaram o banco central a registar perdas por imparidade na ordem dos 257,7 mil milhões Kz. Assume perdas de 216 milhões USD do BPC e 86 milhões USD com o banco de Kundi Paihama.

O Banco Nacional de Angola (BNA) regressou aos lucros em 2018, fechando o ano com 18,6 mil milhões Kz, equivalente a 60,3 milhões USD, com o novo Conselho de Auditoria (CA) e o novo auditor independente a repetirem reservas já antigas relativas à ilegalidade nos reembolsos dos financiamentos ao Estado e a instituições bancárias.

Durante o exercício de 2018, o banco central adoptou novas normas de contabilidade (IAS 39 e IFRS 13) e reexpressou as suas demonstrações financeiras de 2017, ano em que tinha obtido o segundo pior resultado de sempre, com prejuízos de 70 mil milhões Kz, cerca de 426,4 milhões USD. Com esta revisão, os prejuízos registados em 2017 diminuíram para 59,8 mil milhões Kz, equivalente a 360,1 milhões USD.

O BNA justifica as melhorias nos resultados de 2018 com o aumento em 268,6 mil milhões (122,7%) nos "Resultados Operacionais" decorrente, essencialmente, dos resultados cambiais, mas também do aumento de 36,3 mil milhões Kz (38,1%) da "margem financeira" que resulta do aumento dos rendimentos de "activos financeiros disponíveis para a venda" e do investimento em títulos de dívida soberana estrangeira.

As demonstrações financeiras do exercício de 2018 foram aprovadas com reservas pelo novo CA e o auditor externo, a KPMG, que substituiu a Ernst & Young. São unânimes na reserva ao incumprimento da Lei do BNA sobre financiamento ao Estado e à banca, já que a legislação impõe que estes créditos devem ser saldados no exercício fiscal em que são concedidos, o que não aconteceu, já que essas dívidas de curto prazo foram sustentadas por garantias de longo prazo.

O banco central registou provisões para perdas por imparidade no valor de 257,7 mil milhões Kz, equivalente a 1,6 mil milhões USD. Menos 75,7 mil milhões Kz que os 333,4 mil milhões registados em 2017. No ano passado, o BNA assumiu como imparidades 259,2 mil milhões Kz com a aplicação do justo valor ao pagamento em Obrigações do Tesouro Nacional de duas operações de financiamento concedidas ao MinFin, no valor de 646,1 mil milhões Kz. (...)


(Leia o artigo integral na edição 523 do Expansão, de quarta-feira, dia 10 de Maio de 2019, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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