Archer Mangueira pode sair com as alterações na equipa económica

Archer Mangueira pode sair com as alterações na equipa económica
Foto: Quintiliano dos Santos

Tal como se previa, depois do Congresso Extraordinário do MPLA iniciaram-se as alterações na governação do País. Que vai também abranger a equipa económica e a troca do titular do Ministério das Finanças. O próprio Archer Mangueira já terá manifestado a sua disponibilidade em deixar o cargo.

O ministro das Finanças Archer Mangueira vai mesmo deixar o governo. De acordo com o que o Expansão apurou, há já pelo menos dois meses que o próprio terá comunicado que estaria na disposição de deixar o cargo, alegando razões pessoais relacionadas com a sua estabilidade familiar.

A sua saída ainda não se concretizou porque existem dossiers importantes para o País que estão a ser negociados com várias entidades, nacionais e internacionais, que só agora começam a fechar-se. A saída de Archer Mangueira nunca se faria de forma isolada, antes dentro de um conjunto de alterações na equipa económica e produtiva, que pode entender-se a outros ministérios- Economia, Indústria, Telecomunicações e Tecnologias de Informação - e empresas públicas com posição de destaque nos respectivos sectores.

Em termos externos, a aprovação da segunda tranche do FMI, já resolvida, e as negociações em Luanda com a Reserva Federal Americana, cujos resultados práticos só serão conhecidos nos próximos meses, e em termos internos a implantação do IVA, adiado para uma nova data, mas também o congresso do MPLA, que consagrou uma nova estratégia, a aprovação do OGE 2019 revisto e da Conta Geral do Estado de 2017. Foram estes os factos que contribuíram para o adiamento da remodelação governamental. Inicialmente previstas para Setembro, as mudanças podem acontecer nas próximas semanas, havendo já contactos com possíveis candidatos a estes lugares.

Recordar que Archer Mangueira tomou posse a 5 de Setembro de 2016, duas semanas depois do VII Congresso Ordinário do MPLA em que João Lourenço foi eleito como vice-presidente do partido, e na altura, apesar de o Governo ser ainda chefiado por Eduardo dos Santos, ele era visto como um rosto de mudança. Quando João Lourenço chegou ao poder, cerca de um ano depois, manteve-o no cargo, mas o facto de estar a exercer o poder numa altura em que se fizeram diversas transacções financeiras de carácter duvidoso, criaram à sua volta um ambiente de desconfiança. Não tanto ao nível dos seus parceiros de Governo, a situação terá sido devidamente esclarecida, mas mais ao nível da sociedade civil.

Quando surgiram os processos da PGR passou a ser do conhecimento público alguns factos ocorridos durante aquele último ano do Governo do ex-presidente Eduardo dos Santos , no qual o nome do ministro aparece associado pois, pelas funções que desempenhava, no mínimo, tinha de ter conhecimento dos mesmos. Isso criou uma pressão suplementar na avaliação dos seus actos, com muitos dos operadores económicos a pedirem já há alguns meses a sua substituição. João Lourenço manteve-o no Governo durante estes dois anos, embora se soubesse que Archer Mangueira tinha o seu lugar apenas a prazo. (...)



(Leia o artigo integral na edição 529 do Expansão, de sexta-feira, dia 21 de Junho de 2019, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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