O jogo ainda não acabou

O jogo ainda não acabou

A futebolização do caso Isabel dos Santos, o desejo da opinião pública em saber como está o resultado e se alguém marcou golos nas últimas horas, pode prejudicar um processo que, desde que ganhou este nível de mediatismo internacional, pode também ter consequências perversas para a imagem de Angola.

Mas, mais importante. Os intervenientes não podem ceder à tentação de quererem tornar-se "Cristianos Ronaldos", pedirem a bola para si e tentarem ser eles a decidir o jogo. A euforia de quem se sente em vantagem não pode tirar a precisão do passe aos que verdadeiramente têm responsabilidades no desfecho da partida.

Neste caso, os agentes da justiça. É normal que quem sente que foi derrotado, muitas vezes, por influência do árbitro, agora, na frente do marcador, sem a presença do anterior juiz, queira passar a bola por debaixo das pernas do adversário. O público aplaude e vibra, e vai mais uma finta. Mais uma humilhação ao jogador adversário e as massas voltam a movimentar-se.

E, de crescendo em crescendo, as práticas da nova equipa, aquela que sempre se queixou da arbitragem, acabam por ficar exactamente iguais às da equipa anterior. E se o treinador se entusiasmar também, então, a coisa fica feia - é preciso saber perder, mas também é preciso saber ganhar. A grandeza do carácter dos homens também se mede nestes momentos.

Se olharmos para o resultado do marcador parece que, nesta altura, a vantagem de uma das equipas será suficiente para garantir a vitória. Mas parece-me que ainda estamos no final da primeira parte. Faltam pelo menos mais 45 minutos para jogar.

É também previsível que, depois da animação dos últimos dias, aconteça um intervalo, em que as equipas vão preparar os seus argumentos, recuperar de algumas entradas mais duras e preparar a estratégia para o que se segue. Também é de prever que alguns craques troquem de camisola, muitos já o fizeram logo nos primeiros minutos quando perceberam que as coisas podiam correr mal, porque, tal como trumunus de infância, todos gostam de jogar na equipa que está a ganhar.

Para quem está nas bancadas sem nenhuma das camisolas vestidas, o importante é que o resultado seja justo. Que cada um seja penalizado pelos seus erros. Que assuma a táctica que escolheu para jogar e as consequências que lhe estão subjacentes. Mesmo que achasse que era impune e que poderia ganhar sempre. Dos vencedores espera-se que encarem a partida apenas como mais um jogo, porque o campeonato é muito longo e complicado e certamente haverá "derbys" muito mais importantes do que esta partida.

(Editorial da edição 558 do Expansão, de sexta-feira, dia 24 de Janeiro de 2020, disponível em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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