Covid-19: A oportunidade da nossa geração

Covid-19: A oportunidade da nossa geração
Foto: Adjali Paulo

Tempos de grande convulsão, como guerras, revoluções e pandemias, abalam estruturas existentes, mas abrem também espaços para recomeços e oportunidades. Nos dias de hoje, a pandemia da Covid-19 está causar um cataclismo económico tão profundo que nem mesmo os grandes estímulos fiscais e monetários implementados nos países desenvolvidos parecem conseguir atenuar, indicando assim que as transformações são estruturais. Portanto, as soluções para sair da crise não se podem basear em injectar mais dinheiro aos problemas, mas sim em políticas transformativas adaptadas ao contexto de cada País.

Tal como o resto do mundo, para sobreviver Angola terá de se reinventar. A pandemia não trouxe nenhum problema novo, mas veio agravar muitas das dificuldades que o País já vivia: a dependência excessiva na venda de uma só commodity, sector produtivo deficitário, escassez de recursos humanos e corrupção que impedem que o capital seja alocado eficientemente.

Portanto, a estratégia de Angola pós-Covid-19 não pode ser uma mera imitação das medidas tomadas por países mais desenvolvidos. Se, por um lado, os recursos não existem (o preço do petróleo vai estar baixo a longo prazo e os níveis de dívida já estão perigosamente altos), por outro lado, os vícios pré-existentes na nossa economia indicam que, mesmo que os recursos fossem milagrosamente disponibilizados, não se iria atingir uma distribuição eficiente ou a capilaridade necessária (recursos não chegariam ao destino designado).

É, sim, a altura ideal para acelerar muitas das reformas estruturais que adiam a realização do potencial produtivo de Angola. A chave para Angola ultrapassar a crise está na criação de um ambiente de negócios propício ao desenvolvimento do sector agrícola e suas respectivas cadeias de valor (produção capaz de suprir, não só necessidades nacionais, mas também exportar) de maneira sustentável e competitiva. Como evidenciado pelos vários ""elefantes brancos"" e empreendimentos que produzem muito abaixo da sua capacidade instalada, o desenvolvimento do sector não depende apenas da canalização de recursos públicos e/ou privados para um determinado projecto, mas do engajamento e coordenação de todos os stakeholders (reguladores, produtores, distribuidores, bancos, transportadores, qualidade, etc.) para a criação de um ecossistema conducente. Como empresário agrícola, sou parte interessada nesta transformação e, por isso, achei pertinente partilhar três das reformas que considero fundamentais para se alcançar este objectivo.

A base de uma economia de mercado é a propriedade privada. Segundo o mais recente relatório de ""doing business""(1) Angola está no 167.º lugar num total de 190 países no que toca ao registo de propriedade. Por exemplo, o relatório informa que demora 190 dias para registar propriedade em Angola, quando a média na África Subsariana é de menos de 54 dias. O impacto do simples acto de facilitar o registo de propriedade especialmente para pequenos agricultores seria tremendo na medida em que serviria como colateral para as suas operações financeiras.

*Economista e empresário

(Leia o artigo integral na edição 582 do Expansão, de sexta-feira, dia 10 de Julho de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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