Covid-19 em Angola: Desafios e potenciais soluções

Covid-19 em Angola: Desafios e potenciais soluções
Foto: D.R.

O ano de 2020 é marcado no mundo inteiro pela rápida propagação do novo coronavírus SARS-COV2 e é notório o impacto causado pela Covid-19, não só pelos milhões de infectados e milhares de falecidos, mas também por mostrar a sensibilidade mundial do sistema capitalista na economia, na ecologia e na sociedade.

Tem-se focado bastante na busca de soluções para combater os impactos directos da doença, mas este impacto diferencia-se de acordo com a realidade de cada país e das suas diferenças sociais e económicas e, por sua vez, as soluções implementadas também o devem ser. Os recursos humanos, técnicos e financeiros, bem como os recursos naturais e biológicos de Angola devem ser cuidadosamente e estrategicamente incorporados ao plano de combate e recuperação da Covid-19.

Os antigos e os novos desafios também criaram muitas oportunidades de inovação. Aliás, este artigo é o resultado do nascimento de uma Comunidade Científica Jovem em Angola (CCJA), que uniu jovens angolanos em diversas áreas da ciência e que pretendem preencher a lacuna existente sobre a contribuição da ciência e dos jovens para construir uma Angola mais sustentável e justa.

Aqui destacamos alguns dos maiores desafios durante a pandemia, que foram identificados e discutidos durante sessões de brainstorming desta comunidade sob o tema:

"Como pode o governo Angolano ser mais efectivo na implementação das medidas face à Covid-19? Será que o #fiqueemcasa funciona para todos?"

Desafios da Covid-19

Os países em desenvolvimento, como Angola, com variados desafios sociais e ambientais já debilitados antes da pandemia, incluindo sistemas de saúde e sanitário precários, a fome e a pobreza, têm, acima disso, o desafio de adaptar as medidas de contenção do vírus, ao mesmo tempo enfrentando uma alta taxa de desemprego e um avolumado e crescente mercado informal. É notório que alguns sectores estão mais afectados que outros, mas aqui iremos focar na gestão dos resíduos hospitalares, no desemprego e no mercado informal, bem como apresentar soluções discutidas em comunidade para dar resposta a estes desafios a curto e médio prazo.

Gestão precária de resíduos hospitalares

Antes da situação de calamidade, Angola já enfrentava sérios problemas de gestão de resíduos, situação que se reflecte na má qualidade de vida da população. As medidas de prevenção da Covid-19 acabam por dramaticamente influenciar o aumento de resíduos hospitalares plásticos e de uso único, como máscaras cirúrgicas, luvas de latex, viseiras. Por isso, nos últimos meses tem-se notado um aumento do acúmulo destes resíduos em zonas de escoamento e que acabam nos solos e nos oceanos. Isto tem um impacto directo na saúde marinha bem como na dos populares, acrescentando gastos públicos futuros para compensar a presente debilidade.

*Ecologista e Presidente da CCJA

(Leia o artigo integral na edição 595 do Expansão, de sexta-feira, dia 9 de Outubro de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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