Perceber os sinais

Perceber os sinais

Existem razões objectivas para o clima de contestação social que se vive em Luanda - desemprego, perda de qualidade de vida, dificuldades em garantir a alimentação diária, falta de perspectiva profissional para os jovens, falta de diálogo por parte dos dirigentes e excesso de arrogância de quem governa.

Mas existem também razões subjectivas, alimentadas por um grupo de pessoas extremistas que aproveita estas ocasiões para destilar ódio e promover a violência, com discursos xenófobos, que têm como principal objectivo "destruir", sem qualquer preocupação em resolver os problemas da população, antes pelo contrário, promover o "caos" para que possam afirmar o seu protagonismo.

E existe também um grupo de activistas sociais, com provas dadas em matéria de solidariedade e democraticidade, "cansados" de ver os problemas à espera de soluções, "chocados" com práticas do passado que se repetem nos tempos que se previam diferentes, foi assim prometido, dispostos a defenderem os seus direitos e liberdades. Na sua maioria, não têm nada a ver com os partidos políticos, apenas procuram vincar a sua cidadania.

Em momentos de maior tensão, pode parecer que é tudo a mesma coisa, mas não é! E é perigoso se quem governa não percebe isto, sendo que é necessário estender pontes de comunicação onde existe legitimidade, mas também ser inflexível onde a motivação é apenas a marginalidade. Este equilíbrio obriga a uma comunicação eficaz e transparente de quem governa, e a uma postura inclusiva de quem tem o poder.

É preciso também aprender com os erros do passado. Num momento importante da luta contra corrupção, que nunca tinha sido feita no passado, em que alguns dos "intocáveis" de outros tempos começaram a ser citados pela Justiça, surgiu o caso "Edeltrudes" noticiado por um canal televisivo português. O governo, em vez de "matar" a história à nascença com um posicionamento claro - ou é tudo mentira e mantemos a nossa confiança no cidadão, ou vamos averiguar e por agora está suspenso das suas funções - preferiu o silêncio. E passou esse silêncio aos órgãos de comunicação social pública, originando depois o caso "Rosado de Carvalho", e de uma assentada ficou com dois problemas nas mãos - justiça selectiva e liberdade de imprensa. Ainda assim manteve o silêncio, alimentando uma onde crescente de contestação nas redes sociais, que se estendeu depois às autarquias (mais uma vez faltou clareza no discurso oficial sobre esta matéria), juntando-se depois os problemas "normais" de quem passa por uma profunda crise - desemprego, pobreza, etc. O terreno tornou-se fértil para o crescimento de extremismos.

O discurso à Nação do PR foi também pouco mobilizador, excesso de "nós fizemos" e muito pouco de "vamos fazer juntos". Em termos práticos, o País mudou para melhor nestes três anos, muitas coisas que seriam impensáveis estão a acontecer, mas o Povo não está a perceber qual é o caminho e qual é o objectivo. Falta comunicação eficaz com as populações. Os ministros têm de falar mais. Explicar de forma que todos entendam, olhos nos olhos, o caminho que se propõe para Angola. E transmitir confiança. As mudanças só vão acontecer se os angolanos sentirem confiança em quem os governa.

Partilhar no Facebook

Comentários

Destaques

ios Play Store Windows Store
 
×

Pesquise no i