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PCA do BPI critica venda "forçada" do BFA

PCA do BPI critica venda "forçada" do BFA

Lisboa, 23 Junho - O presidente do Conselho de Administração do BPI considera "bastante inadequado" que o banco seja forçado a reduzir significativamente a exposição a Angola, até porque em caso de sucesso da Oferta Pública de Aquisição (OPA) do CaixaBank as circunstâncias poderão ser outras.

"Começou mal e é bastante inadequado que o banco seja forçado, pelas condições em que o é, a alienar ou a reduzir esta participação de forma significativa num banco que é exemplar em Angola e que é o Banco de Fomento Angola", disse à Lusa Artur Santos Silva, à margem de uma conferência internacional sobre supervisão e regulação do setor financeiro, esta segunda feira em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, entidade de que também é presidente.

Questionado sobre a questão da redução da exposição a Angola, Artur Santos Silva sublinhou a necessidade de uma "melhor clarificação" pelas autoridades europeias.

Até porque, alerta, se a OPA tiver sucesso e, em termos consolidados, "o balanço e a dimensão" do banco espanhol CaixaBank permitirem acomodar os riscos de Angola identificados e os riscos de exposição ao Estado angolano, então esta matéria "terá que ser vista calmamente e pelos interessados".

"No caso de sucesso da OPA, competirá ao verdadeiro interessado, que passa a ser o CaixaBank - ao passar a deter o controlo do banco - ter uma palavra final", acrescentou Artur Santos Silva.

O presidente do Conselho de Administração do BPI acrescentou ainda que espera que "pelo tempo que ainda existe pela frente seja encontrada em definitivo uma solução adequada" entre as autoridades e os interessados.

Questionado sobre os quatro meses dados pelo Banco Central Europeu (BCE) ao CaixaBank, a partir do momento em que passar a controlar o BPI, para resolver o problema de exposição a grandes riscos que tem no mercado angolano, Artur Santos Silva respondeu que o prazo "é suficiente" para uma solução definitiva.

"Não são quatro meses, em relação ao que é previsível são perto de oito, porque depois da OPA concluída ainda há um período adicional de quatro meses, portanto no total estaremos a falar de sete, oito meses. Penso que é um prazo suficiente para que este assunto tenha uma definitiva resolução", disse.

Sobre a assembleia-geral de acionistas do BPI de 22 de julho, Artur Santos Silva disse que o problema importante é a desblindagem dos estatutos.

"Espero que os acionistas compreendam isso e não deixem de apoiar esta medida", disse.

Atualmente nenhum acionista do BPI pode votar com mais de 20% dos votos, pelo que apesar de o CaixaBank ter quase 45% do capital está limitado na sua ação, ficando assim numa situação semelhante à da angolana Santoro, que tem 18,58%.

Na quarta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu dar quatro meses ao CaixaBank, a partir do momento em que passar a controlar o BPI, para resolver o problema de exposição a grandes riscos que tem no mercado angolano.

O período de quatro meses só começa a contar a partir da conclusão da OPA feita pelo CaixaBank sobre o BPI, "partindo do pressuposto que ela se realiza antes de outubro de 2016".

A OPA do Caixabank sobre o BPI foi anunciada em abril, depois de o banco espanhol não ter conseguido chegar a entendimento com a angolana Santoro (empresa de Isabel dos Santos e segunda maior acionista do banco, com 18,58%) sobre uma solução para o banco e sobretudo para a redução da exposição a Angola, onde o BPI tem o Banco Fomento de Angola (BFA).

O BCE considera Angola como um dos países que não tem uma regulação e supervisão semelhantes às existentes na União Europeia, pelo que o BPI tem de reduzir a sua exposição ao mercado angolano (dívida pública e a exposição ao BFA, onde detém 50,1%) ou contabilizá-la a 100%, o que Frankfurt estima em 5.000 milhões de euros.

A operação em Angola é a "joia da coroa' do BPI, sendo que no primeiro trimestre contribuiu com 37 milhões de euros para os resultados consolidados, ou seja, 77% do total dos lucros do banco.

O banco espanhol oferece 1,113 euros por ação e a OPA está condicionada à eliminação dos estatutos de bloqueio no BPI.

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