Director Carlos Rosado de Carvalho

Uma boa notícia que não dá para embandeirar em arco

Uma boa notícia que não dá para embandeirar em arco

Os juros que os mercados exigem a Angola baixaram. Mas foram dos que menos desceram e continuam a ser os terceiros mais altos entre 15 países da África subsariana

Para quem diz que só dou más notícias aqui vai uma boa: As yields dos eurobonds angolanos iniciaram esta semana nos 9,45%, 0,05 pontos percentuais (pp) abaixo da taxa a que foram emitidos. Como é uma boa notícia vem em linguagem cifrada para ninguém perceber, insistirão os que acham que sou um pessimista militante e que só dou boas notícias contrariado. Calma! Eu traduzo do economês.

As yields, ou taxas de rendimento, correspondem grosso modo às taxas de juro que o mercado exige aos emitentes. Concretizando, em 4 de Novembro de 2015, na primeira ida aos mercados financeiros internacionais, o Tesouro angolano colocou 1,5 mil milhões USD de obrigações soberanas, denominadas eurobonds, com um prazo de 10 anos, à taxa de 9,5%.

Se Angola fizesse na última segunda-feira uma nova emissão de obrigações soberanas com as mesmas características dos referidos eurobonds pagaria apenas 9,45%, em vez dos 9,5% conseguidos em Novembro. Eurobonds são títulos de dívida emitidos numa moeda diferente daquela do país onde são cotados. Os títulos angolanos foram emitidos em dólares na Irlanda, país cuja moeda é o euro.

Esta não é a primeira vez que as yields dos eurobonds angolanos ficam abaixo da taxa a que foram emitidos. As taxas da primeira sessão não ultrapassaram os 9,21%, permanecendo abaixo dos 9,5% durante praticamente todo o primeiro mês.

A partir do início de Dezembro, as yields iniciaram uma escalada ascendente com picos próximos dos 13,5% em Janeiro e Fevereiro, coincidindo com a descida do preço do petróleo.

Aliviaram nos meses seguintes para taxas inferiores a 10% com ligeiros sobressaltos, o último dos quais quando o Governo desistiu do pedido de auxílio financeiro ao Fundo Monetário internacional, no início de Julho.

Sendo as yields uma referência dos juros que os mercados exigem, a sua descida é uma boa notícia porque significa que os mercados consideram menos arriscado emprestar a Angola.

Contudo, essa boa notícia não é motivo para embandeirar em arco. A descida das taxas de rendimento angolanas inserem-se num movimento de descida generalizado em África. Num grupo de 15 países subsarianos, Angola regista apenas a décima maior descida das yields em 2016. No mesmo grupo, a taxa de Angola ainda é a terceira mais alta, apenas inferior às de Moçambique e da República Democrática do Congo, mais do dobro das da Namíbia e África do Sul e 3 pp acima da Nigéria.

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