Director Carlos Rosado de Carvalho

"Em tempo de crise torna-se impossível fazer uma poupança"

"Em tempo de crise torna-se impossível fazer uma poupança"

Começou a fazer improvisos e a entrar em batalhas freestyle aos 12 anos. Em entrevista ao Expansão, Eva Rap Diva considera o seu último trabalho mais maduro e diz-se pronta para abraçar outros projectos, entre eles, o de criar uma ONG e o de ser mãe.

Quando e como foi o seu primeiro contacto com o rap?

Foi aos 8 anos, comecei a ouvir o rap das cassetes do meu tio Manel. Ouvia Boss AC e Black Company. Aos 12, comecei a fazer improvisos e batalhas. Depois gravei a primeira música aos 15, em Portugal, e só aos 24 anos é que fiz a minha primeira obra discográfica. Antes disso, participei em músicas e espectáculos de colegas.

Porquê o nome "Eva Rap Diva"?

Uma amiga minha, depois de uma actuação minha em Portugal, numa batalha de freestyle, onde, segundo o público, fui a melhor, começou a chamar-me de Rap Diva. Com o tempo, os mais próximos começaram também a chamar-me e foi ficando.

Quais as diferenças entre o seu último trabalho, "EVA", e os anteriores?

Há uma evolução e maturidade enorme neste trabalho, a todos os níveis. Escrita, produção e skills.

Como surgiu o convite para fazer parte da produtora STEP Music?

De uma forma inesperada. Já tinha participado em eventos produzidos pela STEP e sempre admirei o percurso, a competência e profissionalismo da empresa, inclusive, um ano antes de me ser feito o convite, no dia em que a STEP estava a produzir o concerto da Bruna Tatiana, no Cine Atlântico, onde participei, confessei à Karina Barbosa que gostava de trabalhar com a STEP no meu agenciamento, o que, na altura, não era possível, porque a empresa não prestava esse tipo de serviços. Felizmente decidiram dedicar-se também à gestão de carreiras e agenciamento, e eu fui uma das artistas convidadas para me juntar à carteira da STEP Music, algo que desejava fazer há imenso tempo.

Quando é que percebeu que queria fazer carreira na música?

Em 2013. Achei que devia tentar, acredito que podemos viver do que gostamos de fazer se tivermos foco, fé e força. E claro, um bom plano, talento e atitude para ultrapassar os obstáculos.

Que avaliação faz da música hip hop em Angola?

Uma avaliação positiva. Temos coisas muito boas e outras muito más, mas as boas são mais relevantes.

Acha que os angolanos apreciam o rap feminino?

Acho que apreciam algumas coisas feitas por rappers mulheres, com a evolução do trabalho que algumas mulheres no rap têm apresentado, cada vez mais pessoas gostam do rap feminino.

Que uso faz dos meios alternativos de divulgação e qual a importância que a internet tem para um artista?

Eu uso todos os meios de divulgação que estão ao meu dispor. Em relação aos alternativos, posso dizer que para mim, no inicio, foram os meios responsáveis por grande parte da divulgação da minha carreira, uma vez que não tinha acesso aos meios convencionais. Acho que a internet é muito importante para qualquer artista, ou pessoa, que queira divulgar seja o que for, visto que na internet todos somos livres de explorar as ferramentas que lá existem, e de chegar a qualquer parte em segundos.

Como olha para a situação económica e financeira do País?

Com muita tristeza. A área pública sofreu, em vários sectores, de uma gestão péssima. A banca foi gerida por pessoas corruptas, alguns financiamentos vindo do exterior também, e hoje estamos todos a pagar uma factura que não é nossa.

A viver num país em crise, consegue manter uma poupança?

Não consigo fazer poupança. Na verdade, agora estou a recorrer às poupanças que fiz quando não vivíamos esta crise. Em tempo de crise, é quase impossível.

"Inspira-me tudo aquilo que oiço e vejo"

Eva Marise Cruzeiro Alexandre, nasceu aos 7 de Outubro de 1988. A jovem do rap lançou a sua primeira obra discográfica em 2014, intitulada "Rainha Ginga Do Rap". Para cantora, que começou a fazer hip hop nas ruas de Lisboa, capital portuguesa, a música significa vida. "Tudo o que oiço e vejo me inspira!".

Como hobby, Eva gosta de ir ao ginásio, ver documentários e ler. A voz feminina do rap foi a apresentadora do programa Beatbox na Rádio Luanda, em 2012. Além da música, a rapper pretende investir em outras áreas, em termos profissionais, numa ONG, e no que diz respeito à sua vida pessoal, ser mãe. O mais recente trabalho da rapper , o álbum "Eva", foi lançado este ano, e conta com participações de Dji Tafinha, Vui Vui, Selda, Anabela Aya, Gari Sinedima, Landrick e muitos outros.

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