Director Carlos Rosado de Carvalho

"Não tenho o rendimento que mereço e a estabilidade que procuro"

"Não tenho o rendimento que mereço e a estabilidade que procuro"

A cantora de jazz, Sandra Cordeiro, encara a crise como uma chamada de atenção que a obrigou a ser mais poupada. A artista conta ao Expansão que a sua terceira obra será lançada este ano, e já tem título: "A prova".

Quando entendeu que queria ser cantora?

Comecei a cantar com 12 anos, no coro da igreja, e foi naquela altura que surgiu a paixão pela música, pensei em fazer carreira. Considero-me uma artista e faço de tudo um pouco, porém, as pessoas conhecem o meu trabalho a nível da música clássica, afro jazz e música alternativa. Mas também faço outras sonoridades, e como artista procuro interpretar e fazer aquilo que a minha alma quer ou aprecia no momento.

Com"Tata"nzambi" e "Luandense" no mercado, para quando está previsto o lançamento da sua terceira obra?

O lançamento está previsto para este ano, ainda sem data definida e será intitulado "A prova", mas ainda estamos a gravar, pode sofrer alterações, porque vai depender da equipa. Queremos que tudo corra bem para que o trabalho saia dentro do tempo previsto. É um disco com novas sonoridades, onde decidi abraçar novos desafios. Vou sair um pouco da minha zona de conforto, mas vai ter sempre música clássica.

Quais são as suas referências a nível nacional e internacional?

São muitos os artistas que aprecio: Filipe Mukenga, Filipe Zau, Belita Palma, Urbano de Castro. Da nova geração, gosto de ouvir Totó, Jack Nkanga, Walter Ananás, Dodó Miranda, Africanita. No mercado internacional gosto de Céline Dion, Maria Rita, Christina Aguilera, Anastacia e outros. Gosto de tudo que seja boa música, porque aprendo de tudo e de todos.

Como olha para a nova geração de músicos?

Faço uma apreciação positiva. Estão a surgir cantores com muito talento que lêem muito, estudam e pesquisam sonoridade melódica e harmónica. Acredito que são nomes que vão ter sucesso. Estou feliz com o progresso, mas quero mais, gostaria que tivéssemos universidade de música e uma indústria. Para que os amantes da música pudessem receber formação de outras sonoridades e termos um País rico musicalmente.

Vale a pena apostar na formação musical?

Nem todos têm a sorte de terem um retorno positivo. Ainda é uma vida muito sacrificada, porque não temos indústrias. E quando a nossa música passa na rádio não somos pagos, então é difícil o músico depender da música. Eu vivo da música já há alguns anos, mas ainda não tenho o rendimento que mereço e a estabilidade que procuro.

Tem outros projectos?

Sou formada em Gestão e Marketing e tenho outros projectos pessoais que pretendo lançar no mercado. Acho que a minha formação garante-me abrir outras portas profissionais. A crise teve impacto no mercado musical? Sim, a crise tem afectado o número de espectáculos, assim como o número de venda de discos. Há quatro anos todos os fins-de-semana se lançava novos discos, hoje não é assim, e são aqueles que já têm maior estabilidade. Não temos uma empresa de controlo de autor e, se temos, não se faz sentir. Acredito que ao longo dos anos as coisas podem mudar e o Ministério da Cultura deve trabalhar para criar as condições para suprir as necessidades.

Essa realidade faz com que se pense duas antes de lançar um disco?

O medo sempre vem à tona, pode não se vender todos no mesmo mês, mas vamos vendendo. Hoje as pessoas estão preocupadas com ter dinheiro para alimenta- ção, a música não pode ser a primeira compra. A crise mudou alguma coisa em si? Com a crise tornei-me mais poupada. Foi como se fosse um puxão de orelhas. Considero como uma chamada de atenção. Defino a crise como uma situação delicada. Precisamos diversificar a economia, apostando em muitos outros sectores de investimento, como a pesca, aagricultura, a indústria têxtil, e claro, a Cultura.

Do coro da igreja ao Estrelas no Palco

Sandra da Silva Cordeiro Silva, com 30 anos de idade, nasceu em Luanda. A cantora e compositora é casada e mãe de um filho. Como hobby, Sandra tem como preferência a leitura, o cinema, tocar piano e estar com a família. Formada em Gestão e Marketing, na Universidade Independente de Angola, a artista conta que a maioria das músicas que interpreta é oferecida por outros compositores, apesar de também compôr.

Sandra Cordeiro começou a cantar como solista na Igreja do Carmo, mas a sua carreira arrancou aos 16 anos, com a participação, em 2001, no programa Estrelas ao Palco, onde ficou em 5º lugar, interpretando a música "I"m Outta Love" da cantora Anastacia. Em 2008 lançou a sua primeira obra discográfica com o título "Tata"nzambi", e em 2013 apresentou o segundo álbum, "Luandense". "Canto para todos e quero que todos ouçam as minhas músicas. Os adultos, os jovens e as crianças", revelou.

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