Director Carlos Rosado de Carvalho

"Modelo tem de mudar: Estado mais regulador e menos agente económico"

"Modelo tem de mudar: Estado mais regulador e menos agente económico"

O consultor do Banco Mundial está de regresso a Angola. Em entrevista ao Expansão defende que o País vai sair da crise mas que é necessário mudar o modelo de desenvolvimento, apostando em menos Estado e mais em iniciativa privada.

Está de volta a Angola. Como é que deixou o país a última vez que cá esteve?

Dizem que bebi água do Bengo, devia estar com muita sede e bebi bastante porque estou sempre a voltar a Angola. A primeira vez que cheguei a Luanda foi em Dezembro de 2007. Naquele ano, o PIB cresceu acima de 20%. O país era um canteiro de obras. Angola reconstruía-se aproveitando os altos preços do petróleo que, em meados de 2008, chegou aos 140 USD o barril. E depois veio a crise económica e financeira mundial e o preço do petróleo desabou. O efeito foi devastador. Foi um período extremamente difícil, no entanto, foi curto. Em 2008 o preço do petróleo começou a reagir e, seis meses depois, passou a barreira dos 100 USD e assim permaneceu até Junho de 2014. Quando sai de Angola, em Outubro de 2010, a economia estava a recuperar.

Passados mais de seis anos o que encontrou?

Agora, encontro o País numa situação muito parecida com a que vivia no segundo semestre de 2008 e primeiro de 2009. Os efeitos de um choque dramático no preço de petróleo numa economia muito dependente desta commodity vão ser sempre parecidos. Só que desta vez o período de preços baixos do petróleo é muito mais longo e, possivelmente, não veremos novamente o preço acima de 100 USD o barril. Estamos numa nova realidade e o país terá que se ajustar a ela.

De que forma é que Angola se poderá ajustar a esta nova realidade?

Há solução para superar esta crise? Sim, há soluções. Algumas das acções necessárias foram tomadas, outras estão encaminhadas e outras terão que ser tomadas. Uma das primeiras consequências da queda dramática do preço do petróleo foi o déficit orçamental. As receitas caíram muito mais que as despesas. Saiu de uma situação de superávits que chegou ao máximo de 8,7% do PIB em 2011 para passar a um déficit de 6,6% em 2014. O governo reagiu racionalizando os gastos e de investimento, reduzindo o déficit para 3,3% em 2015. Em 2016, o governo continuou a cortar gastos, mas as receitas caíram proporcionalmente mais e o déficit subiu para cerca de 4% do PIB. É óbvio que sem o ajuste fiscal, o rombo teria sido muito maior. Infelizmente, em quase todos os países, a variável de ajuste maior é o investimento que, em Angola, caiu de níveis acima de 12% do PIB entre 2012 e 2014 para 6% em 2015 e 4,5% em 2016. Na área monetária, o BNA fez um corte na liquidez, que começa a fazer algum efeito com uma queda de três pontos percentuais na inflação que passou de 41% em Dezembro para 38% em Fevereiro.

(Leia a entrevista na integra na edição 418 do Expansão, de sexta-feira 21 de Abril de 2017, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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