Director Carlos Rosado de Carvalho

Região vai crescer 2,6%, pior que o antecipado pelo FMI

Região vai crescer 2,6%, pior que o antecipado pelo FMI

O crescimento na África Subsariana deverá registar uma ligeira recuperação de 1,4% de 2016 para 2,6% este ano, de acordo com o relatório sobre as Perspectivas Económicas Regionais para a África subsaariana divulgado esta semana pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). A previsão para este ano está 0,3 pontos percentuais abaixo do previsto pelo mesmo relatório divulgado o ano passado, que apontava para um crescimento de 2,9%.

O FMI revela que o crescimento da região em 2016 obteve o ní- vel mais baixo das últimas duas décadas e antecipa uma ligeira recuperação para este ano. No entanto, deixa o alerta: o atraso na implementação de políticas de ajustamento estão a gerar incerteza, a retrair o investimento, e os riscos poderão gerar ainda mais dificuldades no futuro, sobretudo nos países exportadores de petróleo, como Angola e Nigéria, que ainda estão a lidar com o impacto que a queda do preço do crude teve nas suas economias. Todavia, alguns países, sobretudo na África Oriental e Ocidental, continuam a registar crescimentos robustos.

O relatório, divulgado esta semana em Washington, salienta que "nos países ricos em recursos naturais, o ajustamento foi adiado. Em especial, os exportadores de petróleo, como Angola, Nigéria e os países da Comunidade Económica e Monetária da África Central (CEMAC), continuam a confrontar-se com a perda de receitas orçamentais e pressões à balança de pagamentos, quase três anos após a queda dos preços do petróleo.

A retoma para a região prevista para este ano, considera o director do departamento africano do FMI, Abebe Selassie, será impulsionada por factores específicos nas três maiores economias desta região: uma recuperação da produção de petróleo na Nigéria, o aumento dos gastos públicos em Angola e a diminuição dos efeitos das secas na África do Sul.

Por outro lado, a possível nova valorização do dólar norte-americano, o favorecimento de políticas isolacionistas, a incidência de secas e pragas e problemas de insegurança que potenciam a insegurança alimentar e até a fome são outros dos factores identificados no relatório que podem prejudicar o crescimento das economias africanas não produtores de petróleo.

"São urgentemente necessárias medidas decisivas de política para revigorar o crescimento nos países em que ele enfraqueceu e preservar o ímpeto de crescimento nos demais", vinca Selassie, defendendo "reformas estruturais para apoiar o reequilíbrio, e por políticas para reforçar a protecção social aos mais vulneráveis".

Quanto a Angola, o aumento dos gastos públicos este ano devido à realização das eleições gerais de Agosto e uma maior captação de receitas fiscais deverão impulsionar o crescimento económico nacional após um ano de estagnação.

Crescimento após estagnação

O relatório divulgado esta semana mantém as mesmas perspectivas de crescimento para Angola inscritas nas Perspectivas Económicas Mundiais de Primavera divulgadas em Abril, nomeadamente de estagnação em 2016 e uma ligeira retoma para 1,3% este ano (metade do crescimento previsto para a África Subsaariana), bem como de 1,5% em 2018.

No entanto, o FMI refere que quer em Angola quer na Nigéria, as restrições cambiais continuarão a "deprimir" as actividades dos sectores não petrolíferos, contribuindo para o aumento do risco de um "ajustamento desordenado".

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