Director Carlos Rosado de Carvalho

"A venda de livros em Angola ainda não permite arrecadar receitas"

"A venda de livros em Angola ainda não permite arrecadar receitas"

O percurso trilhado por 13 jornalistas, angolanos e portugueses, serviram de motivação para a criação do livro "Comunicação, o Espelho De Um País" de Wilson Santos. Em entrevista ao Expansão, o radialista espera que a venda do livro tenha impacto na sua carteira.

Porquê a escolha do título "Comunicação, o Espelho de um País"?

A base para a escolha do título do livro é uma das várias correntes do jornalismo que surgiu ainda no século XIX. A imprensa funciona como espelho da realidade, apresentando um reflexo do dia-a-dia das pessoas de um determinado país. E, enquanto autor, procurei adaptá-la à nossa realidade objectiva, estendendo as abordagens inclusive a outras áreas, como, por exemplo, a publicidade, marketing, comunicação institucional, entre outras. Daí que o título comece com a palavra comunicação, por ser o "guarda-chuva" onde estão alojadas as diversas áreas acima referenciadas.

Quando surgiu a ideia de coleccionar as entrevistas?

Por um lado, partiu do compromisso que fui assumindo com todos os entrevistados, por conta da qualidade das entrevistas. Por outro, foi fundamentalmente pela dimensão do percurso trilhado por eles e que se transformara num legado positivo para a nova geração da comunicação, da qual faço parte.

No caso concreto de Angola, a comunicação social tem sido um espelho da realidade?

Sim e não.

Quer justificar?

Sim, porque, se partirmos do princípio da evolução histórica da comunicação social em Angola, que está intimamente ligada ao percurso de luta do nosso povo, espelha, sim, um país que conseguiu a sua auto-determinação e tenta vencer os desafios do desenvolvimento moderno. Agora, também existe o lado dos extremos, com os quais não estou rigorosamente de acordo, quando vejo que os órgãos que compõem o sistema público de comunicação social ignoram o que realmente é de interesse público, mostrando claramente que o jornalismo que se faz no nosso País é questionável e está condicionado ao poder. A minha esperança é que o próximo Governo que sairá das próximas eleições tenha uma nova abordagem em relação à imprensa.

Qual foi o critério para a escolha dos 13 entrevistados que fazem parte do livro?

Tratando-se de um livro que faz uma a viagem de 360º pelas abordagens das várias áreas da comunicação, o critério foi por especialidades, ou seja, os 13 entrevistados falaram de temas diferentes, alargando assim a possibilidade de cada um dos leitores tirar o que lhe interessa e, ainda, saber mais sobre outras visões.

Pretende continuar a compilar as entrevistas em livro?

Pretendo sim. Neste momento, estão na forja outros projectos do género.

Acha que a comunicação é fundamental para o crescimento de um negócio?

Nas organizações modernas por todo o mundo, a comunicação é o maior capital intangível, depois do capital humano, ou seja, uma empresa que não invista na comunicação arrisca-se a andar no escuro sem ajuda de uma lanterna. A comunicação é um investimento e não um custo, como muita das vezes se quer fazer acreditar.

Quando e como decidiu fazer jornalismo?

Venho do meio académico, onde fui forjado por grandes professores, como o Teixeira Cândido, Celso Malavoloneke, João Demba, Altino Matos e o Jorge Antunes só para citar alguns. Há três anos, entendi dar maior dinâmica à minha vida como académico levando as conversas mantidas no interior da universidade para a rádio com a criação do primeiro programa temático sobre comunicação, o Mais Comunicação.

Como analisa a situação económica e financeira do País?

O nosso país cresceu muito nos últimos anos mas não desenvolveu, por culpa de todos mas fundamentalmente da arrogância da nossa elite que não previu os sinais dos tempos. Estamos numa situação de aperto total por conta dos excessos e das falhas dos diversos sistemas económicos. É preciso mudar, responsabilizar os actores que delapidaram o erário público. Muito recentemente, estive com um grupo de jornalistas no interior do País para levar solidariedade aos mais desfavorecidos e ficou visível o trabalho que ainda se deve fazer para termos a Angola desejada.

Acha que a venda de livros em Angola é uma fonte de arrecadação de receitas?

O objectivo primário de um livro é apresentar soluções para os vá- rios problemas que as sociedades enfrentam. Agora, a parte comercial num país com as características do nosso, sem uma rede integrada de produção, distribuição e comercialização, é sempre difícil arrecadar grandes receitas com a venda de livros. É difícil, mas não impossível.

Espera que a venda do livro tenha peso na sua carteira?

É o que espero. Todo o projecto deve atender à componente comercial por conta dos custos editoriais, infelizmente, a nossa realidade objectiva obriga-nos a isso.

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