Director Carlos Rosado de Carvalho

[Eu avisei que] Com a Emirates não se brinca

[Eu avisei que] Com a Emirates não se brinca

A Emirates rompeu esta semana, ao fim de três anos, a parceria que tinha com o Governo angolano para gerir a TAAG por dez anos. O pretexto foi a impossibilidade de transferir para o Dubai parte do produto das vendas de bilhetes em Angola.
A jornalista Telma Van-Dúnem explica, na página 23, os contornos do divórcio. Sem comentários, reproduzo extractos do Economia 100 Makas com o título "Com a Emirates não se brinca" que escrevi em Outubro de 2014 quando a companhia assumiu os comandos da TAAG.
"Por maior que seja o know-how dos pilotos que a Emirates vai indicar para a TAAG eles precisam de ter os instrumentos de voo adequados para levarem a companhia ao destino pretendido. Aliás, não é por acaso que a Emirates condicionou a entrada na TAAG à satisfação de certos requisitos, incluindo a aprovação de novos regulamentos governamentais.
Com eleições à porta, a terapia de choque necessária a uma empresa mediática como a TAAG pode não vir na melhor altura.

Sabe-se que Emirates é muito selectiva na celebração de acordos com outras companhias e por isso admito que tenha avaliado bem os riscos envolvidos. Porém, ninguém é infalível, incluindo a própria companhia do Dubai.
Em 1998 a Emirates celebrou um acordo por 10 anos com Sri Lankan Airlines semelhante ao celebrado agora com a TAAG em que indicou o presidente e ficou com os pelouros operacional, financeiro e administrativo e comercial. A diferença relativamente a Angola foi a tomada de uma participação de 43% no Sri Lanka.
Dez anos depois o acordo não foi renovado por um motivo surpreendente, mesmo comezinho.
Segundo conta a BBC, o presidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapaksa, estava em Londres em visita privada. Precisando de regressar de urgência ao seu país para participar numa importante reunião no parlamento, mandou reservar 35 bilhetes no voo Londres-Colombo da Sri Lankan Airlines. O pedido foi-lhe recusado porque não havia lugares para tanta gente. Os gestores da companhia ainda se disponibilizaram para fazer embarcar o presidente acompanhado de familiares directos. Sem sucesso.
A conversa terminou com os homens da Emirates a responderem: "Não podemos deixar em terra 35 passageiros com bilhetes comprados. Não é assim que as companhias aéreas comerciais gerem os seus negócios e nós somos uma companhia aérea comercial".
Pouco tempo depois do incidente o presidente indicado pela Emirates viu os vistos de trabalho e de residência serem-lhe retirados.
O incidente com o Presidente do Sri Lanka dá-nos uma ideia do profissionalismo com que a Emirates encara o negócio da aviação.
Em Angola sabemos que o Presidente desloca-se sempre no avião presidencial, pelo que a probabilidade dum incidente deste tipo ocorrer é remota. Ainda assim, quem recorda, amigo é..."
Prontos, era só isso.

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