Director Carlos Rosado de Carvalho

As academias também precisam de manutenção

As academias também precisam de manutenção

A semana que agora termina fica marcada pela inauguração da Academia das Pescas e das Ciências do Mar, localizada na Província do Namibe, pelo Vice-Presidente da República, Manuel Vicente. Descontando eventuais eleitoralismos, a inauguração deixou todos os angolanos satisfeitos.

A Academia é um daqueles projectos que fazem todo o sentido para Angola. Um País com mais de 1.600 km de costa precisa obviamente de uma instituição académica virada para as pescas, seja ao nível da formação de quadros seja ao nível da investigação científica.

Um País petrodependente necessita de diversificar a sua economia e as pescas podem dar um forte contributo. Para produzir, o sector precisa de quadros especializados e de investigação científica.

Se o projecto faz sentido a sua localização também. Se há alguma Província em Angola vocacionada para acolher uma academia virada para as pescas ela é sem dúvida a do Namibe, quanto mais não seja pela sua tradição pesqueira.

Ainda a academia não estava em actividade e já o seu coordenador provincial, Domingos Machado, classificava a instituição como uma espécie de "tesouro escondido" e garantia que já era uma "referência" em África. Não consigo compreender como é que uma instituição que custou 111 milhões USD mas que não tem sequer uma página na internet pode ser uma "referência" onde quer que seja, mas isso devo ser eu que sou muito moderno.

Agora que a academia foi inaugurada, falta o mais difícil que é pô-la de facto ao serviço da formação de quadros, da investigação científica e da diversificação da economia.

Para o efeito, nunca é demais recordar que, além de docentes qualificados e alunos empenhados, é necessário, é fundamental o apetrechamento e a manutenção do complexo universitário.

Digo que nunca é demais recordar porque 10 dias antes de inaugurar a Academia no Namibe, Manuel Vicente visitou o Campus da Universidade Agostinho Neto, no Camama, Luanda, e orientou a criação de uma comissão para identificar e resolver os principais problemas que afectam a infraestrutura universitária.

Aquando da inauguração em 2011 pelo Presidente da República o Campus foi apresentado como uma espécie de oitava maravilha do mundo.

A fazer fé no Jornal de Angola, insuspeito de inventar coisas contra o Governo, seis anos depois, os problemas fizeram escola: os laboratórios de Física continuam sem equipamentos e os de Química inoperantes, o único elevador que funcionava avariou por falta de pagamento à empresa de manutenção, as inundações são frequentes e não há iluminação em algumas áreas facilitando os roubos e as violações.

Por isso, senhores governantes não deixem a Academia de Pescas e das Ciências da Educação ir pelo mesmo caminho do Campus da UAN.

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