Director Carlos Rosado de Carvalho

Cortar a miséria pela raiz

Cortar a miséria pela raiz

A divulgação em meados de Novembro pela cadeia de televisão norte-americana CNN de leilões de escravos na Líbia trouxe a questão da migração da África Subsariana para a Europa para primeiro plano de actualidade. De tal forma que o tema acabou por dominar a V cimeira União Africana/União Europeia, que reuniu mais de 80 Chefes de Estado e de Governo em Abidjan, capital económica da Costa de Marfim, dedicada à Juventude Africana, certamente por ironia do destino.

Digo por ironia do destino porque os jovens da África Subsariana são os principais protagonistas dos macabros leilões líbios que o Presidente francês Emanuel Macron classificou de "crimes contra a humanidade".

A solução de emergência encontrada foi o repatriamento urgente para os países de origem dos migrantes subsarianos que estão na Líbia à mercê dos hediondos criminosos. Mas quando chegarem a casa vão encontrar os mesmos problemas que os levaram a fazer-se à estrada, apesar de todos os riscos que sabiam que iam correr. Os mesmos problemas resumem-se numa palavra: miséria.

De acordo com o Comité de Desenvolvimento do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, a estratégia para combater a miséria que grassa na África Subsariana deve assentar em dois pilares: a auto-ajuda e a assistência e cooperação internacionais.

O primeiro pilar parte do pressuposto de que o principal contributo para o combate à pobreza tem de partir do interior dos próprios países. Sem o fim das guerras e a instauração de governos capazes de definir políticas adequadas de desenvolvimento não será possível sair da miséria.

Mas, ainda que a situação interna melhore, os escassos recursos disponíveis não chegam para acudir às necessidades. É aqui que entra o segundo pilar no combate à pobreza, a assistência e a cooperação internacionais.

Neste âmbito, o pacote de investimentos de 3,4 mil milhões EUR da UE em África reafirmado na Cimeira de Abidjan constitui uma boa notícia. Classificado de "Plano Marshall" para África, o pacote poderá mobilizar até 44 mil milhões de euros de financiamento privado para a erradicação da pobreza e dar resposta às causas profundas da migração.

Recursos para reforçar o primeiro pilar: o desenvolvimento e a satisfação de necessidades básicas da sua população. Se tiverem garantidas condições mínimas de subsistência, a maioria dos potenciais migrantes continuará nos seus países.

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