Director Carlos Rosado de Carvalho

Será que os bancos só sabem coçar para dentro?

Será que os bancos só sabem coçar para dentro?

A última reunião do Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola (BNA) foi marcada por decisões contraditórias com uma decisão a sinalizar um aperto da política monetária e duas um "desaperto".

Começando pelo aperto, o CPM decidiu aumentar pela décima vez, desde Outubro de 2014, a Taxa BNA.

Aperto quer dizer que o BNA pretende reduzir a quantidade de dinheiro em circulação para controlar a inflação - nos últimos dois meses a inflação mensal praticamente duplicou. Cronologicamente as coisas passam-se da seguinte forma: o CPM aumenta a Taxa BNA, esse aumento contagia a taxa a que os bancos trocam dinheiro entre si, a LUIBOR, que por sua vez faz subir as taxas a que os bancos emprestam dinheiro aos clientes. Crédito mais caro significa menos crédito e, por isso, menos dinheiro a circular.

Mas ao mesmo tempo que sinalizava que pretende reduzir a liquidez do sistema, o CPM anunciou duas decisões que vão colocar mais dinheiro na economia.

O primeiro "desaperto" foi a redução da taxa de reservas obrigatórias, isto é a percentagem dos depósitos que os bancos são obrigados a depositar no BNA. Não tendo que depositar tanto dinheiro no BNA os bancos ficam com mais dinheiro para emprestar. Maior oferta de crédito significa juros mais baixos. A segunda medida que, tomada pelo CPM, aumenta a liquidez na economia foi libertar os compradores de divisas da obrigação de depositarem nos bancos o contravalor em kwanzas dos pedidos de moeda estrangeira. Milhares de milhões de Kz anteriormente cativos podem agora ser movimentados pelas empresas e famílias, reduzindo a procura de crédito e, consequentemente, as taxas de juro.

Confuso com as decisões do CPM? Também eu.

Mas alguns analistas vieram garantir que os depositantes poderiam ser beneficiados por uma eventual subida dos juros. Olhando para os últimos três anos tenho as minhas dúvidas. A evolução das taxas de juro sugere que os bancos só sabem coçar para dentro: quando o BNA aperta a política monetária são rápidos a subir as taxas que cobram pelos empréstimos, mas muito preguiçosos a aumentar as taxas que pagam pelos depósitos.

Entre Outubro de 2014 e Junho deste ano, as taxas de juro dos empréstimos a particulares até seis meses aumentaram cerca de 10 pontos percentuais (pp) de pouco menos de 15% para pouco mais de 25%. Já as taxas de juro dos depósitos para os mesmos prazos aumentaram apenas 1,2 pp de 4,3% para 5.

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