Director Carlos Rosado de Carvalho

Tratem dos negócios do País não dos vossos

Tratem dos negócios do País não dos vossos

Falando esta quarta feira em Luanda na tomada de posse dos novos embaixadores, o Presidente da República, João Lourenço, (re)colocou a diplomacia económica no primeiro plano da actualidade nacional.
(Re)colocou porque, ainda há pouco mais de seis meses, George Chikoti, então ministro das Relações Exteriores, chamou a Luanda os embaixadores angolanos no exterior para um encontro sobre a "Estratégia de Comunicação Governamental 2017", durante o qual o agora embaixador no Reino da Bélgica, Grão Ducado do Luxemburgo e na União Europeia exortou os chefes das nossas embaixadas a darem prioridade à diplomacia económica.
Quando se fala em diplomacia económica lembro-me sempre de uma história que envolve japoneses, pioneiros da diplomacia económica, e franceses.
Consta que o ex-Presidente francês general De Gaulle ter-se-á, uma vez, recusado a receber um governante japonês com o argumento de que não estava para aturar vendedores de transistores. Não sei se a história é verdadeira ou se não passa de uma anedota. Mas faz algum sentido.
Os japoneses, desde cedo, perceberam a importância que a diplomacia económica não era menor. Os resultados estão à vista: O Japão é a terceira maior economia do Mundo e as suas empresas detêm quotas de mercado invejáveis em muitos mercados, em parte graças aos bons ofícios da sua diplomacia económica.
O exemplo japonês frutificou e, actualmente, os interesses económicos estão sempre em primeiro plano como é o caso de Angola.
A solução para as dificuldades económico-financeiras que o País atravessa passa, em grande parte, pelo estrangeiro, como fonte de financiamento, origem de investimento directo e destino das exportações.
Chegou a hora das chancelarias angolanas no exterior entrarem em cena e provarem que são capazes de ajudar o País a sair da situação difícil em que se encontra.
Recupero duas dicas que podem ajudar.
As embaixadas de Angola não são, ou pelo menos não deveriam ser, um prémio para políticos e militares à beira de reforma, preocupados, sobretudo, com os seus próprios negócios. Aos embaixadores cabe, antes de mais, zelar pelos negócios do Estado, não pelos seus.
Em segundo lugar, senhores embaixadores, não exagerem, sejam realistas. Não vendam o País como a oitava maravilha do Mundo. Da mesma forma que sabem que Angola tem um enorme potencial, os investidores estrangeiros não desconhecem os nossos problemas, como a corrupção e o mau ambiente de negócios. Bajulem só já na nossa casa. Lá fora sejam modestos.

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