Director Carlos Rosado de Carvalho

"Nunca pedi bolsas de estudo, não tive herança. Devo tudo à arte"

"Nunca pedi bolsas de estudo, não tive herança. Devo tudo à arte"
Foto: Lídia Onde

A exposição "Um dia por dia" vai estar patente no "Camões" de 1 a 22 de Março. Dedicada às "mulheres de todos os tempos e de todos os lugares", a artista retrata neste trabalho temas inerentes ao mundo feminino e emoções que só elas transportam.

O que será exposto aqui que nunca foi apresentado?
Seria impossível não abordar a mulher, porque Março é o mês da mulher. Como angolana, pela idade que tenho, sou muito "cáustica" em relação ao assunto mulher no País. A mulher é sempre associada à luta e toda a gestão da sua vida numa sociedade como a nossa. O apelo do meu trabalho é pensarmos exatamente no avesso disso, o lado bom, o belo, a fantasia, o amor, as manias, os truques, as esperanças, a fé. Esse não é um trabalho que possa ser feito pelos homens. Esta carga das cores é trabalho de mulher. A exposição chama-se "Um dia por dia" porque não temos condições de fazer muitos projectos: hoje é sim, já ganhámos; amanhã vamos ver.


Tem uma exposição por ano. É uma regra?
Por regra, faço uma exposição por ano. Em princípio, costumo expor mais no fim do ano, esta calhou no início. Durante o ano inteiro, nunca deixo de produzir e acabo colhendo aquilo que plantei durante mais de 10 anos no "Cenarius", galeria café/bar.


Como é que as mulheres de todos os tempos e de todos os lugares se sentirão homenageadas no seu trabalho?
As flores, as cores, as jóias, a natureza e a fantasia fazem parte do complemento do "útero". Desde que as mulheres nasceram, foram as primeiras a colocar uma flor no cabelo. Temos um útero que nos faz seres diferentes. Esse trabalho é para as mulheres de ontem, de hoje e das que virão, porque a beleza é isso.


Como artista plástica, podemos esperar colaborações suas com outras formas de expressão: costura, escultura?
Eu sou um perigo quando tenho material por perto, uso e abuso, invento e transformo. As minhas criações andam pela cidade, são as amigas que pedem que lhes pinte um vestido para um casamento e eu faço isso com muito prazer. Mas nunca me aliei a um projecto concreto para expor.

(Leia o artigo na integra na edição 462 do Expansão, de sexta-feira 02 de Março de 2018, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)


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