Director Carlos Rosado de Carvalho

Guardem os vossos egos deixem a Sonangol em paz

Guardem os vossos egos deixem a Sonangol em paz

A produção de petróleo em Angola poderá cair 21,8% até 2023. O aviso consta do relatório do mercado de petróleo da Agência Internacional de Energia (AIE).
De acordo com as previsões do braço energético da OCDE, acrónimo de Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos, que reúne os 29 Estados mais ricos do planeta, Angola vai tirar 1,65 milhões de barris de petróleo por dia em 2018, o mesmo que no ano passado. Nos próximos anos será sempre a descer, até a produção atingir 1,29 milhões barris dia, em 2023. Feitas as contas, daqui a cinco anos serão bombeados menos 379 mil barris dia do que os bombeados actualmente, a segunda maior queda depois da Venezuela - ai esta mania de andarmos sempre juntos com a Venezuela.
A culpa é do "envelhecimento" dos poços petrolíferos sem que surjam novos poços que compensem a queda da produção dos velhos. "Angola arrasta-se em África", resume o relatório.
O País está quase completamente dependente do petróleo para alimentar a sua economia, recorda a AIE acrescentando que foi por isso que, em Novembro de 2017, o novo Presidente, João Lourenço, colocou uma nova administração na Sonangol como parte da sua aposta para reanimar o investimento estrangeiro no sector.
De acordo com observadores do mercado angolano, desde o crash do preço do petróleo, em meados de 2014, que não se realizam investimentos, quer em novos projectos, quer no aumento da produção.
Neste cenário seria de esperar que todos os angolanos, em especial os que têm responsabilidades no sector, estivessem unidos a congeminar sobre a melhor forma de trazer os investimentos de volta ao sector petrolífero.
As companhias queixam-se da Sonangol, nomeadamente de ambiguidades nos regulamentos, falta de transparência e atrasos nas decisões, além de reclamarem mais incentivos fiscais do Governo.
Mas não. O que assistimos há semanas a esta parte é a um espectáculo degradante com troca de acusações na praça pública entre o actual presidente da Sonangol, Carlos Saturnino, e a sua antecessora Isabel dos Santos, cada um a querer-nos convencer que o outro é o pior gestor do mundo.
Aos dois peço que guardem os seus egos e que deixem a Sonangol em Paz. Com a maior empresa do País não se brinca.


NdR - Por razões alheias ao Expansão, a revista Luxos não foi distribuída com a última edição como estava previsto. Aos leitores, anunciantes e parceiros as nossas desculpas pelos constrangimentos causados.

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