Director Carlos Rosado de Carvalho

Os primeiros arguidos da nova fase da justiça angolana que aperta o cerco a altas figuras do Estado

Os primeiros arguidos da nova fase  da justiça angolana que aperta o cerco a altas figuras do  Estado

O primeiro filho varão do ex-Presidente de Angola, José Filomeno dos Santos, o general Sachipengo Nunda, o porta-voz do MPLA Norberto Garcia, e o ex-governador do BNA Valter Filipe, estão no topo da pirâmide de duas investigações. A PGR promete "ir até às últimas consequências" e a palavra de ordem na justiça agora passa por investigar e acusar.

O sistema judicial angolano está a apertar o cerco a altas figuras alegadamente envolvidas em crimes financeiros. Suspeito de estar envolvido num esquema fraudulento que provocou um rombo nos cofres do Estado, José Filomeno dos Santos "Zenú", filho do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, terá manifestado disponibilidade para colaborar com a justiça, um dia depois do anúncio da sua constituição como arguido pelo director da Direcção Nacional e Investigação e Acção Penal da PGR, sub-procurador Luís Benza Zanga.
Sobre os ombros do ex-presidente do Fundo Soberano pesam acusações de quatro crimes, nomeadamente de tráfico de influências, associação criminosa, burla por defraudação e branqueamento de capitais.
O alegado esquema refere-se a uma "transacção ilegal" efectuada nas últimas semanas do mandato de José Eduardo dos Santos, em que o ex-governador do BNA, Valter Filipe, igualmente constituído arguido, terá ordenado a transferência de 500 milhões USD para a conta de uma empresa, a Mais Financial Services, domiciliada numa instituição bancária de Londres, alegadamente detida por Filomeno dos Santos e o seu amigo de infância e sócio em vários negócios Jorge Gaudens Pontes, também constituído arguido.
De acordo com fontes ligadas ao processo, a empresa do filho do antigo Presidente terá tentado burlar o Estado através de uma proposta que visava garantir a concessão de créditos a Angola que poderiam chegar aos 30 mil milhões USD. Para tal, a título de garantia do financiamento, a empresa de Zenú terá solicitado ao Estado angolano que transferisse 500 milhões USD para a sua conta.
Graças às suspeitas levantadas pelas autoridades inglesas, a operação acabou bloqueada.

(Leia o artigo na integra na edição 466 do Expansão, de sexta-feira 29 de Março de 2018, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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