Director Carlos Rosado de Carvalho

Previsões do Governo parecem as do INAMET

Previsões do Governo parecem as do INAMET

Quanto é que economia angolana cresceu em termos reais em 2017? A pergunta não é retórica. Não sei mesmo.

No Boletim Económico de Janeiro, colocado no seu site em 13 de Março, o Banco Nacional de Angola (BNA) avança com dois números citando o Ministério do Planeamento (MINEP).
Segundo se lê na página 11 do documento, o MINEP apresentou uma revisão em baixa do crescimento económico para 2017, de 1,1% para 0,9%, mantendo o crescimento do sector não petrolífero em 1,90%, mas revendo o (de)crescimento do sector petrolífero de menos 0,5% para menos 1,03%.
Contudo, nos anexos do relatório, um quadro publicado na página 26, aponta para uma taxa de crescimento de 2,6% em 2017, cerca de três vezes mais do que os números avançados 15 páginas antes. O sector petrolífero passa de um crescimento negativo de 1,0% na página 11 para um crescimento de 3,2% na página 26. Quanto ao sector não petrolífero, apenas são apresentadas percentagens parcelares.
Não sei se foi engano, mas em matéria de previsões em Angola nada me surpreende. O caso de 2017 é bem ilustrativo.
A primeira projecção de crescimento para o ano passado foi apresentada no final de Outubro de 2016 com a proposta de Orçamento Geral do Estado para 2017 e situava-se em 2,1%, com o sector petrolífero a crescer 1,8% e o não petrolífero 2,3%.
Com a proposta de OGE 2018, conhecida em meados de Dezembro de 2017, a previsão de crescimento foi cortada para cerca de metade, passando a ser de 1,1%, penalizada pelo sector petrolífero que passou a uma queda de 0,5%, contra o crescimento de 1,8% projectado anteriormente. Já o crescimento do sector não petrolífero foi aparado em 0,4 pontos percentuais para 1,9%.
Em 7 de Março de 2018, com o relatório de inflação do IV trimestre de 2017, novo corte. Afinal, a economia angolana teria crescido apenas 0,9% em 2017, o mesmo valor retomado na página 11 do Boletim Económico de Janeiro.
Baralhado? Também eu. Bem sei que as revisões em baixa ou em alta das previsões de crescimento são o pão nosso de cada dia. Também não ignoro que economistas são exímios é a olhar para o retrovisor, isto é, a explicar porque falham as suas previsões.
Mas assim já é demais. Até parece que as previsões económicas oficiais estão a fazer concorrência às previsões do INAMET sobre o estado do tempo. E a situação é tanto mais estranha quanto se sabe que o Fundo Soberano pagou cerca de 12 milhões USD para fazer um modelo macroeconómico para a economia angolana.

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