Director Carlos Rosado de Carvalho

Acumulação primitiva de capital na aviação

Acumulação primitiva de capital na aviação

Air Connection Express. Fixe este nome. Ou muito me engano (e gostava muito de estar enganado) ou dentro de alguns anos talvez venha a saber que os seus impostos foram chamados para tapar mais um buraco financeiro com origem na acumulação primitiva de capital. Vou tentar explicar porquê.

Apesar do nome inglês, a Air Connection Express é uma empresa angolana, mais concretamente uma companhia de aviação que se vai dedicar aos voos de e para os aeroportos angolanos com menor tráfego. O novo operador aéreo resulta de uma parceria público-privada (PPP) entre duas empresas públicas - a TAAG e a ENANA, acrónimo da empresa que gere os aeroportos nacionais - e sete privadas Air 26, Air Jet, Bestfly, Diexim, Quicango, Mavewa e SJL. As empresas públicas serão os maiores accionistas com 30% e 10% do capital, respectivamente, mas os privados serão maioritários com 60% do capital, repartido irmãmente pelas sete empresas - cada uma ficará com 8,57%.
O sucesso de uma parceria empresarial depende das mais-valias que os parceiros podem aportar para o negócio, nomeadamente capital, tecnologia, conhecimento do mercado e capacidade de gestão.
Começando pelo fim, seguramente que não foi pela capacidade de gestão que a parceria se fez. Segundo a comunicação social, será contratada uma equipa de gestão profissional.
Quanto ao conhecimento do mercado também não estou a ver o que é que os privados podem ensinar, em especial à TAAG.
Relativamente à tecnologia, que se saiba, nenhum dos parceiros desenvolveu ou está a desenvolver ferramentas em nenhuma área relevante para o negócio da aviação.
Finalmente, o capital. Pelas contas do Expansão, a soma dos capitais sociais das empresas privadas envolvidas na PPP não chega sequer aos 200 milhões Kz, menos de um milhões USD ao câmbio actual. Só as seis aeronaves que a Air Connection vai comprar à Bombardier vão custar pouco menos de 200 milhões USD.
Como nenhum dos sócios da nova companhia tem dinheiro para comprar os aviões nem ninguém lhes empresta, adivinhe quem é que se vai responsabilizar pelo financiamento dos aviões: O Estado, pois claro, através de uma garantia soberana. O que quer dizer que, se as coisas correrem mal e a companhia não puder pagar os aviões, será o Estado a entrar com o "kumbu". Onde leu Estado, leia contribuintes.
Sem querer agoirar, temo que esteja na forja mais um negócio à moda da Aldeia Nova, do Nosso Super, do Papagro ou da Abamat. Não é fazendo as coisas da mesma maneira que vamos obter resultados diferentes.

Partilhar no Facebook

Comentários

Destaques

ios Play Store Windows Store
 
×

Pesquise no i