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Economia

Angola gastou mais a importar combustíveis do que ganhou com o aumento das exportações de crude

COMPARANDO O I SEMESTRE DE 2026 COM O DE 2025

O País desembolsou mais 499 mil milhões Kz na compra de combustíveis refinados no primeiro semestre, em comparação com o período homólogo de 2025, enquanto o benefício efectivo para o Estado decorrente do aumento do valor das exportações de petróleo no mesmo período rondou apenas 203 mil milhões Kz.

O primeiro semestre de 2026 deixa uma das imagens mais paradigmáticas das contradições da economia angolana. Em comparação com os valores do I semestre de 2025, o Estado gastou mais dinheiro a importar combustíveis refinados do que aquilo que efectivamente beneficiou com o aumento do valor das exportações de petróleo bruto, apesar da subida de preços gerada pela guerra EUA/Irão Os números do comércio externo mostram que Angola gastou 1,544 biliões Kz na importação de petróleo, combustíveis e gás durante os primeiros seis meses do ano, mais 499 mil milhões Kz do que no mesmo período de 2025, um crescimento de 47,8%.

Trata-se da maior subida entre todas as categorias importadas e de uma rubrica que, sozinha, representa já 23,2% de todas as importações nacionais, quando há um ano pesava apenas 14,6%.

À primeira vista, poderia argumentar-se que este aumento foi compensado pelo crescimento das exportações de petróleo. Mas essa conclusão é enganadora. As exportações de petróleo, combustíveis e gás cresceram cerca de 609 mil milhões Kz, passando de 12,307 biliões Kz para 12,915 biliões Kz, uma subida de apenas 4,9%.

Contudo, ao contrário do que sucede nas importações, em que a totalidade do dinheiro sai da conta do Estado para pagar a fornecedores externos, as receitas das exportações de crude não entram integralmente nos cofres públicos. Quem vende o petróleo são, maioritariamente, as companhias petrolíferas instaladas no País.

O Estado arrecada apenas uma parte do valor através de impostos, taxas, partilha de produção e outras contribuições fiscais. Admitindo que cerca de um terço do aumento das exportações se traduz em receita efectiva para o Estado, isso significa que dos 609 mil milhões Kz adicionais apenas cerca de 203 mil milhões Kz reforçaram directamente as contas públicas. O diferencial é expressivo. Enquanto a factura das importações de refinados aumentou 499 mil milhões Kz, o ganho efectivo do Estado decorrente do aumento das exportações ronda apenas 203 mil milhões Kz, deixando um saldo negativo próximo dos 296 mil milhões Kz. É provavelmente a demonstração mais clara do custo económico que Angola continua a pagar por não...

Leia o artigo integral na edição 887 do Expansão, sexta-feira, dia 31 de Julho de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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