Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

Empresas & Mercados

Escassez de dados "trava" seguros em África e deixa Angola em alerta

GOVERNAÇÃO DE DADOS NO SECTOR SEGURADOR

O sector segurador tem a vocação de prever riscos e solucionar sinistros, mas sem dados disponíveis e confiáveis, a subscrição torna-se escassa, a precificação incerta e as coberturas permanecem limitadas, deixando, assim, milhões de famílias e empresas sem protecção, alerta a Organização Africana de Seguros

O estudo sobre "Práticas e Tendências de Dados em Seguros e Resseguros na África" revela que a escassez de informação é o maior entrave ao avanço do sector e à inclusão financeira no continente. Sem dados fiáveis e detalhados, os cálculos atuariais tornam-se incertos e a precificação exige margens de segurança elevadas. Como consequência, os custos de resseguro disparam, tornando as apólices demasiado caras para as populações mais vulneráveis. (Ver gráfico.)

Num continente cuja a taxa de penetração ronda apenas entre 1 a 3% do PIB, com excepção da África do Sul (11%) e a Namíbia (7%), as lacunas relacionadas com a informação tornam ainda mais fundo o "fosso" da falta de protecção no continente, porque no dia a dia as pessoas estão desprotegidas. Jean-Alain Francis, PCE da corretora de resseguros mauriciana EllGeo Re, defende que o sucesso do seguro inclusivo exige uma compreensão granular do risco.

O gestor alerta para o dilema do sector: "Sem dados fiáveis, ou cobramos preços excessivos e excluímos as pessoas, ou cobramos menos do que o necessário e comprometemos a sustentabilidade do negócio". Com a expansão da tecnologia e o avanço da inteligência artificial alimentada por dados, o PCE da ENSA, Mário Mota Lemos, acredita que os dados são o novo petróleo, destacando a grande deficiência de África neste sector.

"Actualmente, a África se comunica com o resto do mundo, mas carece de comunicação interna, comunicação e compartilhamento de dados dentro do continente. Ao construir um ecossistema de dados intra-africano, podemos desenvolver uma melhor compreensão do risco africano, o que nos permitirá subscrever e precificar seguros de forma mais eficaz nos mercados africanos e impulsionar o crescimento do sector de seguros no continente", diz.

Já o presidente da Comissão Executiva da Mulemba Re, Paulo Bracons sublinhou que na resseguradora nacional reconhecem que a melhoria substancial da qualidade dos dados e da competência em gestão de riscos são pilares essenciais para o fortalecimento do sector de seguros em Angola e, por isso, estão empenhados em promover a maturidade e a resiliência do mercado.

Para o presidente da Organização Africana de Seguros, Yared Mola, a falta de dados têm implicações que vão além do sector de seguros, porque, onde os riscos permanecem difíceis de quantificar, o investimento hesita. Onde o seguro não está disponível ou é inacessível, famílias e empresas ficam sem protecção contra choques que corroem os ganhos de desenvolvimento.

Para mitigar esta situação, a organização está a desenvolver o Repositório Africano de Dados de Seguros (AIDR), uma plataforma pan-africana prevista no plano 2024-2028 para centralizar e padronizar informações no continente. Para superar esta carência, Jean Baptiste Ntukamazina, secretário-geral da Organização Africana de Seguros refere que esta é uma tarefa tanto institucional quanto técnica, que exige investimento, governança e colaboração genuína entre actores públicos e privados.

Angola precisa de uma central de informação seguradora

À semelhança da Central de Informação de Risco de Crédito (CIRC) existente na banca, Lopo Panzo, financial controller no sector financeiro, e Domingos Santos, gestor de risco, defendem que o sector segurador deve criar uma central idêntica.

"Hoje um tomador de seguros pode ter apólices activas em quatro seguradoras diferentes, acumular prémios em cobrança simultânea com valores significativos e nenhuma das seguradoras saber o que as outras sabem. Um cliente pode acumular apólices com capitais de seguro muito acima da sua real capacidade financeira, uma situação que, em caso de sinistros, sobre a legitimidade da cobertura". Os especialistas sublinham que um mercado... Leia o artigo integral na edição 887 do Expansão, sexta-feira, dia 31 de Julho de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo