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"Existem muitos jovens com talento nas zonas mais recônditas do País, mas que precisam de oportunidades"

VALDEMAR FRANCISCO | DIRECTOR DO FESTIVAL TCHOLE

Apesar dos desafios financeiros, é com espírito de resiliência que se vai realizar a 7.ª edição do Festival Tchole. Ao Expansão, o Director- -Geral, Valdemar Francisco, contou que, ao longo dos anos, o Festival nunca recebeu apoio de empresas com responsabilidade social, pelo que apela a essas instituições para entenderem que a primeira bandeira que representa o nosso País é a cultura.

Está tudo a postos para a realização da 7.ª edição do Festival Nacional de Cultura e Artes da Juventude, conhecido por Tchole?

Moralmente está tudo bem, mas o Festival não depende só da vontade. Depende de outros contornos financeiros. Estamos a uma semana do evento, que vai decorrer de 10 de Setembro a 22 de Novembro, em Luanda, mas ainda estamos a lutar por patrocínios e investimento. Normalmente, os patrocinadores não são os mesmos em cada edição. É de compreender, porque cada instituição tem uma filosofia nova a cada ano e, possivelmente, a instituição que apoiou no ano passado poderá não apoiar novamente, o que é normal. Entretanto, no meio das dificuldades, realizaremos o Festival com os nossos recursos e temos esperança de que vai aparecer uma mão invisível.

O que significa Tchole?

Tchole é uma palavra oriunda do Leste de Angola e tem muitos significados, como força, esperança, continuidade e resiliência, mas nós adoptámos uma palavra motivacional, que é «força», no sentido de caminhar em frente, olhando para um futuro melhor. No entanto, o termo é do Leste, mas o Festival é de âmbito nacional e todas as 21 províncias entram no Festival para congregar as culturas do nosso País.

Como surgiu o Festival Tchole?

O Festival é uma iniciativa da Companhia Njila Teatro, em parceria com o Instituto Angolano da Juventude. Estamos nessa parceria desde a sua fundação. O nosso objectivo é formar jovens, fomentar e levar a nossa cultura além-fronteiras.

Onde é que se vai realizar a 7.ª edição?

O Festival vai decorrer em sete palcos, com sessões de música, dança, feira de arte e cultura, debates, conferências, colóquios, entre outras atracções culturais. No dia 10, teremos a cerimónia de abertura, que será no Palácio de Ferro. Em seguida, passaremos à Prova de Arte, na LAASP, ex-Liga Africana, na Ilha de Luanda, na Casa de Cultura e na Fundação de Arte e Cultura. Portanto, serão três meses de intensas actividades ligadas à cultura, sustentabilidade, turismo e formação para jovens artistas e criadores.

O que esta edição traz de novidade?

Será lançado o projecto juvenil de âmbito nacional denominado "Njila Jovem", que será realizado no mês de Outubro. O Njila Jovem é um projecto de mentoria, formação, acompanhamento e autoajuda para os jovens artistas e criadores nas comunidades, porque existem muitos jovens com talento nas zonas mais recônditas do país, mas que precisam de oportunidades. O projecto surge para alavancar as inspirações desses jovens, dando-lhes inputs e ferramentas para fazerem arte e dela tirarem o seu sustento.

O facto é que o país tem uma elevada taxa de desemprego, sobretudo entre os mais jovens, que, segundo o INE, está à volta dos 49%.

Exacto. Este projecto será focado nos bairros. Nós teremos três rostos diferentes da nossa cultura, ligados ao desporto, à música e às artes cénicas, que vão abraçar o projecto. Inicialmente, temos o Phathar Mak, o Leo e o humorista Gordo Estiloso, e estamos a prever um da área do desporto... Leia o artigo integral na edição 891 do Expansão, sexta-feira, dia 28 de Agosto de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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