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Angola

Entre os angolanos que ficaram na Polónia só 3 são bolseiros do INAGBE

ANGOLANOS REJEITAM EMBARCAR PARA ANGOLA PARA TERMINAR A FORMAÇÃO

Os três bolseiros que decidiram ficar na Polónia fazem parte da 4.ª edição do programa de envio anual de 300 licenciados e vão ficar sem os subsídios por imperativo do regulamento. Em situações em que não há aulas, como acontece na Ucrânia, o INAGBE não sabe o que fazer.

Dos 277 angolanos que decidiram ficar na Ucrânia, apenas três são bolseiros da 4.ª edição do programa de envio anual de 300 licenciados com "elevado desempenho e mérito académico" para "as melhores universidades do mundo". Os estudantes, que neste momento se encontram sob custódia da Embaixada de Angola na Polónia, estavam a frequentar o curso de mestrado e doutoramento.

Entretanto, correm o risco de ver os seus subsídios cortados por não terem aulas por causa da guerra entre a Ucrânia e Rússia e por imperativo do regulamento do programa, bem como pela paragem dos sistemas bancários. "Na Ucrânia, só há três bolseiros pertencentes ao programa do Governo de envio anual de 300 licenciados e estes não fazem parte da lista de angolanos que regressaram. Esta situação deixa-nos preocupados, porque estes vão deixar de receber os seus subsídios pela imposição do regulamento e porque também os bancos daquele país não estão a funcionar", justifica Milton Chivela, director-geral do Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudos (INAGBE), que sublinha que não se sabe ainda o que se vai fazer.

Mas, provavelmente, vão entrar em contacto com os familiares dos bolseiros, para os convencerem a regressar ao País. "Não conseguimos perceber quais as motivações que os fizeram ficar numa zona de conflito, correndo o risco de não receber os habituais subsídios para custear a formação e a sua sobrevivência. Voltando ao País, podemos encontrar outras soluções para a continuidade da formação noutros países europeus, mas antes têm de regressar", esclareceu. Quanto aos que regressaram, o director explicou que são os que estavam na Ucrânia a estudar, pelos seus próprios meios.

Estudantes decidem ficar na Ucrânia para terminar a formação

Os restantes angolanos que decidiram ficar na Ucrânia alegam que querem terminar a formação e só depois pensam em regressar ao País, já formados. Caso o conflito se agrave pensam em refugiar-se noutros países europeus. Adrien Luís, estudante de doutoramento do 2º ano do curso de Engenharia Rodoviária e Aeródromos da Universidade Nacional de Automóveis e Rodovias de Kharkiv, contou ao Expansão que decidiu ficar porque quer continuar a estudar e trabalhar. "Não cheguei a embarcar porque ainda tenho a minha esposa ucraniana dentro da Ucrânia, mas a verdade que estou aqui por conta própria e quero terminar o meu curso e continuar a trabalhar, porque se regressar a Angola será difícil retomar a vida que já temos neste país", explica o angolano. Adrien acrescenta que, no caso de as coisas piorarem, vão refugiar-se noutros países da Europa como emigrantes para continuar a formação e depois regressar ao País.

Já Julieta Saviqueia, estudante do último ano de ginecologia obstetrícia da Universidade de Piragova, conta-nos que regressar a Angola impediria a sua meta por estar no último ano. A jovem prefere aguardar até que as coisas melhorem. "Apesar de o Governo Angolano retirar o apoio aos que decidiram ficar, excepto o consular, não tememos porque estamos a estudar por conta própria e sempre soubemos dar resposta aos nossos problemas. Portanto, vou ficar porque sei o quanto é difícil estar no nosso País sem uma especialidade", esclarece.

Recorde-se que o Ministério das Relações Exteriores fez saber que os cidadãos que decidiram permanecer na Polónia estão sob sua "conta e risco", garantindo apenas apoio consular. Os angolanos estão até este fim de semana sob custódia da embaixada de Angola na Polónia, tendo de procurar outro lugar, a partir daí.

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