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Angola

Refinaria de Cabinda poderá ter nova estrutura accionista

GEMCORP E SONANGOL VÃO CONVERSAR

O bloqueio à actividade dos bancos russos, a dificuldade em garantir o investimento necessário a juros competitivos, o pouco empenho no projecto e a ausência de vocação para projectos industriais, pode "empurrar" a Gemcorp a renegociar a sua participação de 90% no capital da refinaria

A Gemcorp poderá alterar a sua posição de 90% como accionista do projecto face às circunstâncias actuais. Este é um tema que se discutiu na visita à VFuels de forma discreta, sabendo-se que face ao que se passou até agora está na hora de conversar e negociar. A Sonangol deverá reforçar a sua participação na refinaria, ou no limite, que não se coloca neste momento mas que por exemplo aconteceu na Reserva Estratégica Alimentar com o grupo Carrinho, assumir a liderança da refinaria. A Gemcorp, não tendo uma vocação industrial, e não conseguindo um fluxo de financiamento com juros competitivos, fica sem espaço.

É unânime para quem esteve nesta viagem aos Estados Unidos que foi a Sonangol que comandou todo este processo, quer em termos técnicos da construção da estrutura. A Gemcorp nomeou apenas um quadro para acompanhar esta fase e tiveram de ser os técnicos da Sonangol a discutir com a VFuels todas as questões técnicas do módulo de refinação, assim como no que concerne aos pagamentos necessários para garantir esta etapa. De acordo com o que o Expansão apurou junto de duas fontes ligadas a este projecto e que naturalmente querem manter o anonimato, a petrolífera nacional teve mesmo de avançar com parte da tranche que era necessária pagar ao construtor americano, apesar de ter apenas 10% do projecto. Um valor que terá rondado os 50 milhões USD, mas que a Sonangol em termos de uma resposta oficial enviada ao Expansão assinada pelo departamento de comunicação, nega que o tenha feito. Pode ler-se, "a Sonangol é parceira neste projecto em 10% e não fez qualquer aporte financeiro até ao momento".

Na mesma comunicação pode no entanto ler-se: "Todavia sendo parte integrante da sua operacionalização, caso haja necessidade para o benefício do país de um aporte financeiro, naturalmente o fará, com as devidas alterações estatutárias para reflectir na estrutura de capital do projecto ou como suprimento à sociedade veículo do projecto, em condição reembolsável nos valores de mercado".

Ou seja, a Sonangol abre a porta ao aumento da sua participação no capital social da empresa que é detentora da refinaria, por troca de investimentos que sejam necessários garantir. Se a isto juntarmos o facto de os juros que os financiamentos da Gemcorp mobiliza serem muito altos, de grande parte destes fundos terem como origem bancos russos que agora passam pela aplicação de sanções devido à guerra da Ucrânia, que até ao momento não tenha assumido qualquer vontade de assumir a liderança do projecto, nomeadamente nesta visita oficial "chefiada" pelo ministro Diamantino de Azevedo, percebe-se que a médio prazo podem haver alterações importantes.

O Expansão também apurou junto de duas das mais importantes instituições financeiras nacionais, que terão havido conversas exploratórias para a possibilidade de se conseguir financiamento interno para a refinaria de Cabinda, precavendo assim a possibilidade de não parar o projecto em caso de falhas no plano inicial. Como sabemos, foi assumido pelo próprio Presidente da República no discurso à nação, "que a Refinaria de Cabinda não implicava quaisquer custos ou compromissos financeiros futuros a Angola".

(Leia o artigo integral na edição 674 do Expansão, de sexta-feira, dia 13 de Maio de 2022, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)