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Empresas & Mercados

Preços dos bilhetes baixaram até metade do valor cobrado em Setembro

DESCIDAS NOS PREÇOS DAS VIAGENS INTERPROVINCIAIS VÃO DOS 15% AOS 50%

Após aviso do regulador, operadoras de viagens interprovinciais baixaram os preços dos bilhetes de passagem. Macon é a que tem preços mais altos e a TCUL os mais baixos. Macon justifica os seus preços com a estrutura de custos operacionais.

Os preços dos bilhetes das viagens interprovinciais baixaram entre 15% a 50%, nos últimos seis meses, mas não para os níveis de 2019, antes da pandemia da Covid-19, que fez disparar os preços, apurou o Expansão numa ronda feita esta semana aos terminais das principais operadoras. As operadoras reagiram ao aviso do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários, que promete fiscalizar se os aumentos estão de acordo com a estrutura de custos das operadoras, que estão sujeitas ao regime de preços vigiados.

Após o país ter levantado a cerca sanitária, as viagens interprovincias foram retomadas de forma condicionada e quem viajasse entre Luanda e o Huambo com a Macon desembolsava 27 mil Kz. Mas o preço foi reduzindo até se fixar nos actuais 13.600 kz, quase metade do valor cobrado em Setembro.

De Luanda ao Namibe, pela mesma empresa, a viagem reduziu de 30 mil Kz para 27.500 Kz, uma descida de 8%. Quem optar pela Ango-Real, no percurso Luanda-Huambo, paga hoje 10.500 Kz, menos 43,2% do que os 18.500 que desembolsava antes. Já quem viajar pela TCUL gasta 8.500 Kz, menos 15% do que os 10.000 Kz que pagava anteriormente.

Em Setembro de 2021, quando foi levantada a cerca sanitária, o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INTR) proibiu as empresas de transporte de passageiros interprovinciais de subir os preços, face à especulação de preços que se verificava. Meses depois começou a registar-se uma descida gradual das tarifas, na sequência de acções de fiscalização da entidade que regula o mercado de transportes interprovinciais.

O INTR, segundo Kambango Fernandes, responsável do observatório Nacional dos Transportes, obrigou as empresas a apresentar regularmente as suas tabelas de preços para analisar, juntamente com o Departamento de Acompanhamento de Preços e Subsídios do IGAPE, se a tarifa que praticam está ou não dentro da margem fixada pela entidade reguladora.

A tarifa dos serviços de táxi e dos transportes coletivos urbanos de passageiros fazem parte do regime de preços vigiados, de acordo com o Decreto Executivo n.º 256/20 de 30 de Outubro. Kambango Fernandes esclarece que "os preços dos bilhetes são taxados dentro dos limites estipulados pelo IGAPE, à Luz do Decreto Presidencial n.º 355/19, Lei que regula os transportes de passageiros, devendo respeitar os custos operacionais de cada empresa, tipologia do veículo, capacidade operacional da empresa". O responsável alerta, no entanto, que as operadoras não podem actuar fora das margens estabelecidas pela Lei, porque quem o fizer "arrisca-se a ver-lhes ser retirada a licença de actividade e os títulos de concessão de carreira".

Apesar do aviso, o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários garante que já não há especulação de preços nos transportes de passageiros colectivos interprovinciais, uma vez que os preços que as empresas praticam actualmente são baseados nos custos de operação.

VIAJAR DE MACON CUSTA QUASE DUAS VEZES MAIS DO QUE NA TCUL

Entre as empresas de transportes colectivos interprovinciais que operam em Angola, a Macon é a que pratica preços mais altos. A empresa justifica as suas tarifas com os custos operacionais, como aluguer de infraestruturas, custos com pessoal, acessórios e reposição das viaturas, entre outros. Com 42 destinos no país, os bilhetes da Macon custam entre 30.200 Kz, na viagem entre Luanda e Dundo (Lunda-Norte) e 4.300 kz entre Luanda e Dondo (Kwanza-Norte). É também a operadora que assegura o maior número de itinerários, garantindo viagens para destinos mais longos do que as outras empresas.

Se a Macon viaja para 42 destinos, a Ango Real apenas assegura 11 e a TCUL seis destinos. Partindo de um itinerário comum, Luanda-Huambo, o Expansão constatou que a viagem custa quase duas vezes mais na Macon do que na TCUL, já que o bilhete na primeira custa 13.500 Kz e na outra operadora custa 5.000 Kz. A Ango-Real cobra no mesmo trajecto 10.500 Kz.

Para a rota Luanda-Benguela, o passageiro tem de desembolsar 12.900 Kz na Macon, contra os 9.500 Kz na Ango-Real. De Luanda ao Sumbe, o passageiro desembolsa 8.400 Kz com a Macon, e 7.000 Kz na Ango-Real. Na rota Luanda/Soyo o passageiro paga 10.100 Kz na Macon e 7.500 Kz se for pela TCUL.

A pública TCUL diz ter os preços mais baixos do mercado para ir de encontro à capacidade financeira dos passageiros, que têm vindo a perder poder de compra. "Nós procuramos praticar os preços mais baixos do mercado, mas sempre dentro dos limites dos custos operacionais", afirma André Gomes, director de Comunicação e Imagem da TCUL.

A Macon tem fixada uma outra tabela que diz ser de preços promocionais em pelo menos 5 horários e 6 rotas, mas mesmo assim as tarifas não chegam aos níveis praticados pela TCUL. As variações também têm a ver com o horário da viagem. Na tabela promocional, quem optar pela viagem que sai às 10h30, na rota Luanda/Benguela, desembolsa 10 mil Kz, um trajecto que no tarifário normal da Macon custa 12.900 Kz.

A Macon reconhece que a tarifa que pratica não é igual à das outras empresas, mas defende que os custos da empresa são mais elevados. "A nossa estrutura é muito grande e é suportada por um custo muito elevado", remata Armando Macedo, coordenador comercial da Macon, notando que é o valor que cobra aos passageiros que suporta a empresa.