"As startups em Angola precisam de ajuda em termos de investimentos"
O director-executivo de um dos grupos com mais aplicativos no mercado, Kenneth Hogrefe, defende menos burocracia e mais divulgação de Angola para a captação de investidores para as startups, que têm uma palavra a dizer no desenvolvimento da economia nacional.
As startups têm sido apresentadas como uma forma de promoção do alto emprego, sobretudo juvenil. Qual é o papel que estas plataformas podem desempenhar para o desenvolvimento da economia de um País?
As startups são muito importantes porque um país que tem sucesso, uma boa economia no mundo, é um país que tem inovação e novas soluções. Sou da Dinamarca, um país com uma população de seis milhões de pessoas, temos um salário mínimo de mais ou menos 2 mil USD, não temos petróleo, diamantes, nem os recursos que Angola tem. Dependemos de inovação. Criamos sempre novas soluções, novas empresas, não só de tecnologia, mas startups de várias áreas. Aqui estamos sempre a falar de diversificação da economia e o nosso sucesso futuro passa mesmo por aí. E as startups são uma grande parte deste futuro.
Como?
Temos muito potencial fora do petróleo. Energia, agricultura, pescas... E nestes sectores também podemos criar soluções tecnológicas. É importante para uma economia as startups terem sucesso porque dão oportunidades aos jovens. Para abrir uma empresa tradicional é preciso muito dinheiro, diferente das startups. Quem tem uma boa ideia e tempo para investir pode chegar muito longe e isso pode ser muito importante para o crescimento da nossa economia. Temos uma população jovem e é muito importante ter conhecimento que existe um futuro com as startups.
E a formação?
É importante implementarmos isso desde o início na escola. Estamos com um grande problema que é a falta de programadores. Olhando para as startups que já estão no mercado, a maioria, os websites ou aplicativos são feitos por estrangeiros que estão fora de Angola. Precisamos criar soluções para angolanos, criadas por angolanos.
Não há programadores no mercado?
Existem. Mas poucos com a qualidade que nós precisamos. E quem tem esta qualidade cobra valores altos que as startups não têm para pagar. Para quem quer ser programador as informações estão online. Quem investir horas no Youtube pode ser um bom programador, mas é preciso investir tempo.
Até onde as universidades podem contribuir para esta evolução tecnológica que o País precisa?
As universidades vão continuar a ser importantes, mas vão ser menos importante para ganhar educação porque já existem muitas outras formas de aceder ao conhecimneto. Existem muitos jovens em Angola que as famílias não têm dinheiro para os filhos entrarem nas universidades. O importante é sempre investir em know-how, em educação. Por exemplo, a Dinamarca só consegue ter um salário mínimo de mais ou menos 2 mil USD porque já criou uma boa economia. A base foi a inovação e esta inovação só vem para quem tem educação e visão. A educação na Dinamarca não é só grátis, como os estudantes recebem um pagamento mensal por estudarem e não irem trabalhar, por exemplo, num supermercado, porque é um investimento que o nosso país precisa. Então, o estudante recebe um subsídio de cerca de 500 USD mês para estudar. Porque se todos forem trabalhar nas profissões clássicas, poucas pessoas entram na escola e nós precisamos desta inovação e visão para o futuro. E Angola também.
Um segmento que depende essencialmente da internet. Como olha para as nossas telecomunicações?
Há espaço para melhorar. Mas o ecossistema aqui em Angola melhorou muito nos últimos anos. Estamos a ver boas iniciativas de startups no País que mostram o caminho. Um bom exemplo é o Tupuca que cresceu muito e que também está a lançar-se fora de Angola. Já está no Congo. Temos o portal de empregos Jobartis, também espalhado por vários países de África. Isso é bom para mostrar aos jovens angolanos que é possível, apesar de ainda termos muito trabalho porque existem outros países mais avançados aqui no Continente.
O que é preciso para um negócio online crescer?
Uma coisa importante é o pagamento online. Já temos várias soluções mas chegaram no mercado muito tarde. Por exemplo, no Quénia os pagamentos via telefone co meçaram em 2007. Um outro problema é o grau de penetração da internet que em Angola ainda é muito baixo. A maior parte dos angolanos não têm acesso à internet. E é uma área que precisamos melhorar. Vamos esperar que a entrada de novos operadores melhorem este indicador. Se muitas pessoas não têm acesso a internet fica difícil o negócio crescer.
(Leia o artigo integral na edição 660 do Expansão, de sexta-feira, dia 4 de Fevereiro de 2022, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)











