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"Tempestade perfeita" mete euro a valer menos que o dólar

PARA ANGOLA SÃO BOAS NOTÍCIAS

Desde o início do ano que a moeda europeia depreciou 12% face à norte-americana, o que segundo especialistas se deve, também, à ameaça de recessão mais forte e à resposta mais rápida por parte da Reserva Federal norte-americana (Fed) face ao Banco Central Europeu no que toca à tomada de decisão na subida das taxas de juro.

Há mais de vinte anos que o euro valia mais que o dólar, uma tendência quebrada esta semana devido aos receios crescentes de uma recessão mais forte na zona euro para este ano, que em tempos de instabilidade económica "empurra" os investidores para o refúgio que é a moeda norte-americana. Esta quarta-feira, o euro negociava a 0,9998 USD, um dia após ter alcançado a paridade com o dólar pela primeira vez em duas décadas, recuperando depois para os 1,0075 USD.

A divulgação dos dados sobre uma nova subida da inflação nos Estados Unidos, que atingiu no mês passado 9,1%, aumentam a possibilidade de a Reserva Federal continuar a subir agressivamente as taxas de juro, o que beneficia a moeda norte-americana.

Desde o início do ano que a moeda europeia depreciou 12% face à norte-americana, o que segundo especialistas, se deve, também, à resposta mais rápida por parte da Reserva Federal norte-americana (Fed) face ao Banco Central Europeu no que toca à tomada de decisão na subida das taxas de juro e pela crise energética provocada pela invasão russa à Ucrânia.

Agora, segundo especialistas, mesmo que o Banco Central Europeu suba as taxas de juro conforme já revelou, a tendência do euro será para continuar em queda, agravando os custos das empresas e penalizando as famílias europeias que já convivem com a alta dos preços provocada pela subida dos preços dos combustíveis, um efeito indirecto do conflito armado naquele continente.

Taxas mais altas fortalecem a moeda, mas a ameaça de recessão e os preços em alta da energia reduzem a margem ao BCE, que já anunciou que, na reunião agendada para 21 de Julho, vai subir as taxas de juro em 25 pontos base, a primeira subida em mais de uma década. "Acreditamos que o aumento dos temores de recessão generalizada tenha sido em grande parte responsável por esta forte desvalorização do euro, com os mercados a refugiarem-se no "porto seguro" do dólar americano por temores de que o forte aumento da inflação em todo o mundo pesará sobre o crescimento global no segundo semestre de 2022", disse Matthew Ryan, Head of Market Strategy at Ebury, citado pelo português Jornal de Negócios.

Mas a luta para controlar a inflação no espaço europeu pode obrigar a mais subidas na taxa de juros, o que segundo os especialistas pode provocar o risco da fragmentação da moeda. Isto porque quando o banco central anunciou a subida há cerca de um mês, as taxas da divida italiana subiram para níveis alarmantes, com o mesmo a poder acontecer noutras economias do espaço.

Para contornar este problema, o BCE revelou que vai criar uma ferramenta anti-fragmentação para conter o disparo dos spreads, que deverá estar associado ao assumir de compromissos económicos por parte dos países que beneficiarem desta medida.

Mas o que é má noticia para os países europeus, pode ser uma boa noticia para outras paragens, como é o caso de Angola. É que com um euro mais forte as importações daqueles países ficam mais caras, por exemplo em mercadorias como o petróleo que é cotado em dólares nos mercados internacionais.

Por outro lado torna as exportações daqueles países mais baratas e é aqui que entra Angola, cuja principal receita vem do petróleo, ou seja em dólares, acabando por pagar menos do que pagava antes quando o euro valia mais que a moeda norte-americana. Também do lado da dívida pública esta descida do euro é benéfica para Angola, pois uma parte substancial da dívida externa é em euros, devido às emissões de eurobonds (cerca de 8 mil milhões de euros), o que faz com que pague menos pelo serviço desta dívida.