Os desafios da indústria transformadora em Angola
No meu artigo anterior apontei algumas razões que podem estar na base do processo de desindustrialização em Angola.
Dada a importância do sector manufactureiro em qualquer economia, em especial nos primeiros estádios dos processos de consolidação das transformações estruturais dos sistemas produtivos, dedico um segundo artigo a esta temática, até em reconhecimento pela iniciativa do Ministério da Indústria, ao ter realizado, durante o dia 22 deste mês (Dia da Indústria Nacional), a Primeira Conferência Nacional sobre Indústria Transformadora.
A industrialização é um processo através do qual se incrementa, ao longo do tempo, o valor agregado da economia, pela via da transformação dos seus recursos naturais. O crescimento económico está muito associado à capacidade de geração de valor agregado interno, em condições de criação de emprego, maximização da eficiência e aumento das exportações. É assim que se tem garantido a auto-sustentabilidade e a redução da dependência nas economias mais desenvolvidas.
Desde os anos 60 do século passado, depois das primeiras independências políticas em África, que os dirigentes africanos entenderam que a industrialização era a via pela qual se poderiam transformar as economias agrárias e monoculturais do continente em economias modernas, geradoras de emprego, multiplicadoras de rendimento e capazes de melhorar os standards de vida das populações. O aumento do valor agregado interno pela transformação dos recursos naturais reduziria o grau de dependência do exterior a que os sistemas coloniais europeus de exploração tinham conduzido os novos países.
Depois de, aparentemente, o mais delicado da crise financeira e económica internacional de 2008/2009 ter passado, e a despeito de uma surpreendente boa capacidade de resistência de muitas economias africanas aos seus efeitos1, o continente africano, em especial a região subsaariana, continua vulnerável aos choques sobre os termos de troca das suas economias, devido ao excessivo peso de produtos de reduzido valor acrescentado. Durante muitos anos, os dirigentes africanos convenceram-se de que a melhor maneira de reduzir a vulnerabilidade das economias africanas era através da implementação dum modelo de industrialização pela substituição das importações2.
No entanto, durante os anos 70 do século passado, com os sucessivos choques petrolíferos e o avolumar das dívidas, começaram a emergir os limites deste tipo de modelo para se alcançar uma industrialização sustentável. Os tão mal-afamados Programas de Ajustamento Estrutural do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial tinham, como um dos resultados desejáveis das políticas macroeconómicas de compressão da procura agregada, a criação de condições para a industrialização, em contextos de economias abertas valorizadores das vantagens comparativas dos países.
Em anos mais recentes, os países africanos expressaram, através de políticas convenientes e declarações de intenção, o comprometimento com a industrialização, como um componente da agenda mais alargada de diversificação das suas economias. O entendimento político geral é o de, pela via da industrialização com diversificação, se contribuir, definitivamente, para a organização de uma capacidade de resistência a choques externos e à diminuição da dependência do exterior. Cumulativamente estes dois processos, apresentam como vantagens a criação de emprego e de oportunidades de redução da pobreza e melhoria das condições de crescimento com sustentabilidade.
Apesar do que assinalei anteriormente quanto à importância da manufactura, às declarações políticas sobre a urgência do seu desenvolvimento em África e aos registos positivos em alguns países sobre o seu crescimento, a indústria transformadora ainda não tem um peso significativo no PIB.
Mais preocupante tem sido a dificuldade em manter as alterações que se registam. De facto, a sua representatividade relativa passou de 6,3% em 1970, para um pico de 15,3% em 1990. Desde então, a sua diminuição tem sido o curso normal.
Não surpreende, portanto, que a internacionalização da indústria transformadora africana - medida pela sua participação no Valor Industrial Agregado Mundial - se caraterize por valores e mesmo dinâmicas muito baixas. Isto corresponde à













