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Angola

Caála testa logística de frio para impulsionar o Corredor do Lobito

1º FASE ENTREGUE

A recepção provisória da primeira fase da logística de frio da Plataforma Logística da Caála marca o arranque deste modelo de desenvolvimento.

A Plataforma Logística da Caála acaba de dar um passo relevante na consolidação da cadeia de abastecimento nacional, com a recepção provisória da primeira fase da sua "Logística de Frio", uma infra-estrutura que, embora transitória, assume um papel estratégico na preparação de um sistema mais robusto e eficiente.

Mais do que um simples avanço físico, trata-se de um momento de validação operacional de um modelo considerado crítico para um País onde as perdas pós-colheita continuam a penalizar a produção nacional e a limitar o potencial exportador. Inserida no plano nacional de desenvolvimento de plataformas logísticas, esta infra-estrutura ganha particular relevância por estar localizada no eixo do Corredor do Lobito, um dos principais canais de escoamento de mercadorias do interior para os mercados internacionais.

Ao permitir a conservação adequada de produtos sensíveis à temperatura, a unidade da Caála posiciona-se como um elo essencial entre a produção agrícola e os circuitos de comercialização, contribuindo para reduzir desperdícios, estabilizar preços e melhorar a qualidade dos bens disponíveis no mercado. Com uma área inicial de cerca de 5.000 metros quadrados, a instalação integra parque de camiões, zonas de recepção e selecção de frutas e vegetais, além de 15 câmaras frigoríficas de diferentes dimensões.

A aposta numa solução energética baseada em fontes renováveis - modelo Net Zero Energy Emission - reforça ainda a componente de sustentabilidade, alinhando o projecto com tendências internacionais de transição energética e eficiência operacional. Mas é na ligação à economia real que o projecto começa já a demonstrar impacto.

A plataforma está a servir de apoio à produção e exportação de abacate, um segmento agrícola com crescente procura externa e financiado pelo Governo dos Países Baixos, parceiro activo nesta iniciativa. Este enquadramento evidencia não só o interesse internacional no potencial agrícola angolano, mas também a necessidade de infra-estruturas logísticas que garantam qualidade e regularidade no fornecimento.

A presença de entidades como a Embaixada neerlandesa, o programa Diversifica+ e operadores institucionais da rede logística confirma que o projecto da Caála não é um caso isolado, mas parte de uma estratégia mais ampla de reorganização da logística nacional. Ainda assim, o sucesso dependerá da capacidade de transformar esta solução piloto numa operação sustentável, financeiramente viável e replicável noutras regiões do País.

Num contexto em que Angola procura diversificar a economia e reduzir a dependência das importações, investimentos desta natureza são determinantes. Resta saber se a aposta na logística de frio terá escala suficiente para responder às necessidades do sector produtivo ou se ficará, como tantas outras infra-estruturas, aquém do potencial anunciado.

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