Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

Angola

Griner quer 12 mil Kz por tonelada de lixo que entrar nos Mulenvos

4 ANOS DEPOIS PPP CONTINUA NA GAVETA

O Governo está inclinado aceitar os termos da Griner, que lidera o consórcio que ganhou o concurso para a primeira PPP em Angola. O novo mecanismo constitui um arranjo para adequar a PPP aos actuais pressupostos macroeconómicos e de gestão de resíduos, garantindo a viabilidade do negócio.

Para garantir a viabilidade económica do Aterro Sanitário dos Mulenvos (ASM), o Governo Provincial de Luanda (GPL), dono do empreendimento, deverá pagar à empresa Griner uma gate fee (taxa de entrada, na tradução livre) de 12.000 Kz, equivalente a 13 USD, por cada tonelada de resíduos depositados. A solução, proposta pela empresa privada, está a ser discutida para desbloquear a primeira Parceria Público-Privada (PPP) de Angola, adjudicada em Janeiro de 2022, apurou o Expansão junto do Governo e de fontes envolvidas no processo.

Quatro anos após a adjudicação da PPP a um consórcio liderado pela Griner, a decisão para pôr fim ao impasse deverá ser conhecida ainda no primeiro semestre deste ano, mas não garantirá de imediato o arranque da operação daquele que será o primeiro centro de valorização de resíduos do País. Isto porque a Griner, empresa de construção civil e infraestruturas que chegou a ter o BAI como accionista maioritário, ainda não entrou no aterro, actualmente gerido pela Empresa de Saneamento e Limpeza de Luanda (ELISAL), pelo que serão necessárias uma série de obras de construção e investimento em equipamentos para o tratamento dos resíduos. E para isso será necessário tempo.

Contas feitas, como o acordo entre as partes prevê o depósito anual de 1,5 milhões de toneladas de resíduos durante 25 anos, o GPL terá de pagar 18 mil milhões Kz por ano. Por outro lado, se o parceiro do privado não receber a quantidade de resíduos acordada, o Estado pagará em cash a diferença, nos termos de uma cláusula da arquitectura inicial da PPP, definida em 2019.

A proposta inicial previa que a taxa de depósito de lixo fosse paga pelas empresas que prestam serviços de recolha ao GPL. No entanto, ao que o Expansão apurou, o contrato em vigor com essas empresas não previa a cobrança de taxas no acto de depósito de resíduos no aterro, pelo que terá de ser o Estado a assumi-las.

No essencial, o novo mecanismo, através do qual o Estado, via GPL, assumirá o ónus da gate fee nos primeiros anos de actividade do ASM, constitui um arranjo para adequar a PPP à actual conjuntura macroeconómica e de gestão de resíduos, garantindo a viabilidade do negócio ao operador. Enquanto o impasse nos Mulenvos se tem prolongado, a população tem crescido e o modelo de recolha adaptou-se.

A cidade produz hoje mais lixo do que em 2019, altura em que foram definidos os pressupostos da parceria. E também a quantidade de resíduos recicláveis, como vidro, plástico ou papel que podem dar entrada nos Mulenvos já não é a mesma, visto que existem agora agentes organizados a recolher selectivamente esses materiais e a fazer desta actividade o seu ganha-pão. O tempo passou, a situação no aterro agravou-se e o que parecia ser o tiro de largada das PPP em Angola tem-se revelado um "parto difícil" de concretizar...

Leia o artigo integral na edição 866 do Expansão, sexta-feira, dia 06 de Março de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo