Vagas nas escolas públicas à venda por valores até 600 mil kwanzas
A falta de escolas continua a ditar as regras para quem pretende colocar os seus filhos a estudar, sobretudo nos institutos técnicos da capital do País. O excesso de candidatos gera oportunidades para professores e funcionários, e até para burlões que se apresentam como intermediários.
Professores e funcionários de escolas públicas estão a ser denunciados por pais e encarregados de educação por cobrarem valores que chegam até aos 600 mil Kz para garantir vagas, transformando o direito à educação gratuita num negócio clandestino que agrava a exclusão social e mina a confiança nas instituições. O esquema de venda de vagas nas escolas não é novo. É uma prática que se tornou comum, principalmente em Luanda, devido à procura que aumenta todos os anos, que é bastante superior à oferta de escolas na capital.
No leque das mais concorridas estão quatro escolas: o Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL), o Instituto Médio Politécnico Industrial de Luanda (IMPIL), o Instituto Médio Politécnico Alda Lara, e o Instituto Médio Comercial de Luanda (IMCL). É aqui que as "mixas" para entrar atingem os valores mais altos, por serem as mais cobiçadas e as mais concorridas pela qualidade de ensino, conforme constatou o Expansão.
Nestas instituições, o pai ou um encarregado de educação que desejar garantir uma vaga para o seu filho do I ciclo para o ll tem de pagar uma "mixa" cujos valores rondam os 600 mil Kz. No IMPIL (Macarenco), especificamente nos cursos de Informática e Petroquímica, candidatos afirmaram que foram obrigados a pagar 600 mil Kz a professores.
O valor mais alto era cobrado para o curso de Petroquímica. No local, uma pessoa que se identificou como funcionário da instituição pediu 550 mil Kz à equipa do Expansão para "dar uma ajuda" em troca de uma vaga para um curso de informática. Solicitou 50% de adiantamento e o resto após publicação do nome na lista. Em conversa com um professor desta instituição, que preferiu manter o anonimato, foi confirmado que a prática de cobranças ilícitas tem sido recorrente.
Segundo a fonte, muitos professores solicitam à direcção da instituição a inscrição de "supostos" familiares, como sobrinhos e primos. O funcionário acrescentou que, há dois anos, a instituição enfrentou um episódio em que um professor recebeu dinheiro de um aluno para garantir uma vaga, mas o nome não constou na lista oficial.
O caso chegou à direcção e resultou num processo disciplinar contra o docente. Posteriormente, o estudante acabou por ser admitido. "Já houve casos em que um professor recebeu dinheiro de várias pessoas reprovadas nos testes, prometendo colocá-las a estudar. No entanto, os nomes não apareceram na lista, o que gerou problemas internos. Essas situações só poderão ser eliminadas se professores e intermediários forem responsabilizados criminalmente", afirmou.
Já no Instituto Médio de Economia de Luanda, alguns pais e encarregados disseram que lhes foram exigidos valores até 500 mil Kz para garantir vagas nos cursos de Finanças, Comunicação Social e Economia. No entanto, em declarações ao Expansão, o subdirector pedagógico da instituição, Arlindo Jorge, negou a possibilidade de professores daquela instituição comercializarem vagas para candidatos que não foram admitidos nos testes de... Leia o artigo integral na edição 893 do Expansão, sexta-feira, dia 11 de Setembro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui











