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Economia

"A industrialização de que o País precisa é a que transforma produtos agrícolas em bens alimentares"

Rui Minguês, na abertura do VI Conselho Consultivo

Ministro defende o reforço da produtividade agrícola através da mecanização, irrigação e uso de fertilizantes, bem como a melhoria dos sistemas de armazenamento e conservação para reduzir as perdas pós-colheita.

A industrialização de que Angola precisa é aquela que transforma produtos agrícolas em bens alimentares, recursos naturais em produtos com valor acrescentado, potencial local em empresas competitivas e investimento produtivo em emprego digno. A defesa foi feita pelo ministro da Indústria e Comércio, Rui Minguês, na abertura do VI Conselho Consultivo do ministério, que decorre entre os dias 24 e 25 deste mês, na província do Moxico Leste.

Sob o lema "Integrar, Produzir e Comercializar", o governante afirmou que o principal objectivo do ministério é consolidar uma base industrial mais robusta, territorialmente equilibrada, tecnologicamente preparada e cada vez mais integrada nas cadeias produtivas nacionais.

Para Rui Minguês, a produção de alimentos transcende a dimensão económica, assumindo-se como uma questão de soberania nacional, estabilidade social e desenvolvimento sustentável. "Garantir a disponibilidade de alimentos, assegurar o abastecimento regular dos mercados, estabilizar os preços dos bens alimentares de amplo consumo e reduzir a dependência externa são prioridades permanentes da acção governativa", afirmou.

Na sua intervenção, o ministro sublinhou a necessidade de continuar a elevar a produtividade agrícola através da mecanização, da expansão da irrigação e da utilização de fertilizantes. Defendeu igualmente o reforço dos sistemas de armazenamento e conservação, a redução das perdas pós-colheita, a melhoria da logística de escoamento da produção, uma maior aproximação entre produtores, industriais e comerciantes e a criação de procura efectiva para os bens produzidos em Angola.

No domínio do comércio externo, citando dados da Administração Geral Tributária (AGT), Rui Minguês revelou que, em 2025, as exportações angolanas ascenderam a cerca de 31,7 mil milhões de dólares, dos quais aproximadamente 95% corresponderam a petróleo bruto. No mesmo período, as importações totalizaram cerca de 16,8 mil milhões de dólares, resultando num saldo comercial positivo.

"Este resultado demonstra a capacidade do País para preservar uma posição externa favorável. Ao mesmo tempo, desafia-nos a acelerar a diversificação da pauta exportadora, aumentar o peso das exportações não petrolíferas, reforçar a competitividade da produção nacional e transformar os mercados regionais em oportunidades concretas para os nossos produtores, industriais e comerciantes", afirmou.

O ministro destacou ainda a posição estratégica da província do Moxico Leste, sublinhando que a proximidade do município do Luau aos corredores regionais e aos mercados da África Austral constitui uma vantagem para a promoção do comércio transfronteiriço, o escoamento da produção nacional, a circulação de bens e serviços e a afirmação de Angola como plataforma de integração económica regional.

Relativamente à diversificação da economia, Rui Minguês afirmou que o Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) se consolidou como um dos principais instrumentos de execução da política económica do Governo, contribuindo para o aumento da produção nacional, a industrialização, a substituição das importações e o fortalecimento do empresariado angolano.

Segundo o governante, no primeiro trimestre deste ano, o crédito concedido ao abrigo do PRODESI cresceu 79% face ao período homólogo de 2025, tendo os desembolsos atingido cerca de 85,5 mil milhões de kwanzas.

Na abertura dos trabalhos, Rui Minguês garantiu que, ao longo dos dois dias do Conselho Consultivo, serão avaliados os resultados alcançados, identificadas oportunidades de melhoria e partilhadas experiências, com vista a acelerar a implementação das políticas públicas nos domínios da indústria, do comércio, da logística, da integração regional e da promoção do investimento.

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