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Economia

Banco Mundial prevê 4,5% de crescimento do PIB

QUASE DUPLICA PREVISÃO PARA ANGOLA EM APENAS 4 MESES

O Banco Mundial elevou para 4,5% a previsão de crescimento da economia angolana em 2026, na edição de Outubro do Africa Economic Update, divulgada esta terça-feira, 6, em Washington. A nova estimativa representa uma alteração substancial das perspectivas da instituição para Angola: ainda em Junho, no Global Economic Prospects, projectava uma expansão de apenas 2,4%. A diferença é de 2,1 pontos percentuais.

Uma parte importante da resposta já está nos números conhecidos do primeiro semestre. O Banco Mundial calcula que a economia angolana cresceu 7,2% nesse período, beneficiando de uma actividade não petrolífera forte, particularmente na indústria transformadora, comunicações e comércio, ao mesmo tempo que a produção petrolífera recuperou 3%.

A instituição considera que esta combinação deverá permitir fechar 2026 com uma expansão de 4,5%. Os dados do Instituto Nacional de Estatística ajudam a perceber a mudança de perspectiva. Só no segundo trimestre, o PIB aumentou 8,74% em termos homólogos e 2,75% relativamente aos três meses anteriores, depois de retirados os efeitos sazonais. O desempenho conhecido da primeira metade do ano tornou, assim, demasiado pessimistas algumas das previsões feitas apenas alguns meses antes.

FMI continua nos 2,3%

A diferença é particularmente evidente quando se compara a nova estimativa do Banco Mundial com a do Fundo Monetário Internacional. No Artigo IV publicado em Maio, o FMI apontava para um crescimento de apenas 2,3% em 2026, justificando a desaceleração com a contenção da despesa pública prevista no OGE e com o ajustamento à redução estrutural das receitas petrolíferas.

Para o sector petrolífero esperava um crescimento de 1,6% e para a economia não petrolífera 2,4%. Entre os 2,3% do FMI e os 4,5% agora avançados pelo Banco Mundial existe, portanto, uma diferença de 2,2 pontos percentuais. E não se trata apenas de um exercício académico. Uma diferença desta dimensão altera previsões sobre receitas fiscais, dívida em percentagem do PIB, emprego, consumo, importações e capacidade de financiamento da economia.

O Banco Mundial identifica a actividade não petrolífera como um dos principais motores do crescimento em 2026, destacando indústria transformadora, comunicações e comércio. Ao mesmo tempo, a recuperação de 3% da produção petrolífera acrescentou impulso a uma economia que, no ano anterior, tinha sido penalizada pela queda da produção de crude.

Em 2025, segundo o FMI, o sector petrolífero tinha recuado 5,2%, apesar de a economia como um todo ter conseguido crescer 3,1%. Há, portanto, uma combinação pouco habitual: sectores não petrolíferos a crescerem significativamente e petróleo novamente a contribuir positivamente. É essa conjugação que ajuda a explicar por que razão uma previsão feita em Junho envelheceu tão depressa.

Mas o próprio Banco Mundial não acredita que Angola tenha entrado numa trajectória sustentada de crescimento próximo dos 5%. Depois da aceleração deste ano, espera uma expansão média de apenas 3,2% em 2027 e 2028.

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