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Economia

Bancos ficaram com média de 1.000 milhões USD por mês no I trimestre

SÓ COBRE METADE DAS IMPORTAÇÕES DE BENS E SERVIÇOS

A incapacidade dos bancos em aceder a divisas continua a asfixiar a actividade económica do País. A maior parte das divisas continua a vir do sector petrolífero, um total de 1.262 milhões USD, ainda assim menos 80 milhões face ao período homólogo. Tesouro Nacional "agarrado" ao serviço da dívida externa vale apenas 18% das dívisas que os bancos conseguiram comprar.

Os bancos garantiram 3.022 mi lhões de dólares em divisas nos três primeiros meses do ano, o que representa um crescimento de 6% face ao primeiro trimestre do ano passado, equivalente a mais 161 milhões de dólares, de acordo com cálculos do Expansão com base em dados do Banco Nacional de Angola (BNA).

A média mensal de 1.000 milhões USD só cobre metade do que o País gasta em importações de bens e serviços. A maior parte das divisas continua a vir do sector petrolífero, um total de 1.262 milhões USD, ainda assim menos 80 milhões face ao período homólogo.

Seguem-se os clientes diversos, onde se enquadram os clientes bancários, que venderam aos bancos mais 173 milhões de dólares nos primeiros três meses do ano, para um total de 852 milhões. Já o sector diamantífero vendeu 308 milhões de dólares, enquanto o Tesouro Nacional vendeu um total de 467 milhões, mais 65 do que no período homólogo, e o BNA apenas disponibilizou 68 milhões.

Apesar do aumento da disponibilidade de divisas na banca, o kwanza tem estado estabilizado, registando uma ligeira apreciação de 0,02% face ao início do ano, passando de 912,3 Kz no final de Dezembro do ano passado para os actuais 912,1 Kz. Isto numa altura em que persiste um backlog (diferença entre a procura dos bancos e aquilo que conseguem adquirir no mercado cambial) a rondar os 1,2 mil milhões USD, que num regime cambial efectivamente flexível se deveria traduzir numa forte depreciação da moeda nacional.

Em termos teóricos, e segundo o BNA, a taxa de câmbio do kwanza face ao dólar é definida com base no regime de câmbio flutuante, resultando de leilões de divisas no mercado interbancário definidos pela oferta e procura. Pelo que se a procura por dólares for superior à oferta tenden cialmente o kwanza deprecia, e no caso contrário aprecia, como aconteceu em 2022, em que o preço do barril de petróleo chegou a ser vendido acima dos 100 USD, o que permitiu uma entrada substancial de divisas em Angola.

Contas feitas, os cerca de 1.000 milhões USD mensais que os bancos conseguiram obter em divisas são muito inferiores àquilo que são as necessidades dos seus clientes. Só para se ter uma ideia, de acordo com dados da AGT, no I trimestre deste ano o País importou 4.176 milhões USD em mercadorias, o que dá uma média mensal de 1.392 milhões USD. Se a estes números se juntarem a média mensal (do ano de 2025) de 710 milhões USD em custos com a importação de serviços, percebe-se que aquilo que os bancos estão a conseguir em termos de divisas equivale a metade do valor que o país gasta em importações em termos mensais.

Isto, sem contar com outros mecanismos de saída de divisas do país, como as transferências invisíveis correntes, como salários de expatriados, que em 2025 registou uma média de 30 milhões/mês, ou transferência de lucros das empre sas, que no ano passado registou uma média mensal de 248 milhões USD. Há que ter em conta também outras necessidades como transferências de apoio familiar ou pagamento de propinas e tratamentos médicos fora do País...

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