Brent perde terreno, mas tensão geopolítica mantém mercado sob pressão
Os preços do petróleo negoceiam em baixa ligeira esta terça-feira, após terem registado na sessão anterior a maior valorização em aproximadamente um mês, num mercado que continua condicionado pela incerteza geopolítica no Médio Oriente.
Perto das 09h00 de Luanda, o Brent, referência para as exportações angolanas, recuava 0,6% para 94,4 USD por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, perdia 0,7%, negociando nos 91,5 USD.
A volatilidade dos preços continua a refletir as dúvidas em torno das negociações entre Washington e Teerão. O risco de perturbações prolongadas no fornecimento energético proveniente do Golfo Pérsico aumentou depois de o Irão ter ameaçado suspender as negociações indiretas com os Estados Unidos, na sequência de novos ataques israelitas no Líbano.
Apesar disso, o crude acabou por devolver parte dos ganhos registados na segunda-feira, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que as negociações com Teerão permanecem em curso. Segundo declarações à ABC News, Trump revelou que um memorando de entendimento destinado a garantir a reabertura do estreito de Ormuz poderá ser assinado já na próxima semana, avança o Negócios.
De acordo com o líder norte-americano, citado pela Bloomberg, Washington e Teerão ainda precisam de ultrapassar "alguns pontos pendentes" antes da formalização de um acordo.
A falta de clareza sobre a sustentabilidade do atual cessar-fogo e sobre a evolução das negociações entre os dois países tem contribuído para a instabilidade dos mercados petrolíferos. No mês passado, os preços do crude registaram quedas expressivas, impulsionadas pelo otimismo dos investidores relativamente à possibilidade de um entendimento entre as duas partes.
Entretanto, a agência semioficial iraniana Tasnim avançou que Teerão e os seus aliados regionais, incluindo o Hezbollah e o Hamas, discutem o encerramento total do estreito de Ormuz e do estreito de Bab al-Mandab, na entrada sul do Mar Vermelho. Ambos são corredores estratégicos para o comércio energético global e fundamentais para as exportações de petróleo de produtores da região, incluindo a Arábia Saudita.
A incerteza foi agravada por versões contraditórias apresentadas por Donald Trump e pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, sobre uma recente conversa telefónica relativa aos confrontos no Líbano.
Entretanto, a presidência libanesa indicou que o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entre Israel e o Hezbollah poderá ser alargado a todo o território libanês, deixando de abranger apenas Beirute. Novas rondas de negociações estão previstas para terça e quarta-feira.











